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15 May 2013
AHP contra a proposta do
A AHP está “frontalmente contra” a proposta do aumento do IVA na hotelaria recomendado esta terça-feira, 14 de Maio, pela OCDE no relatório “Portugal: reformar o Estado para promover o crescimento”, que considera haver “margem para agravar os impostos sobre o consumo, transferindo mais bens e serviços das taxas reduzidas de 6% e 13% para a 23%, entre eles o alojamento turístico”. Luís Veiga, presidente da AHP, afirma que: “Trata-se de uma tentativa de retirar competitividade ao nosso turismo, sector exportador por excelência, tanto mais vital quanto o contexto recessivo em que nos encontramos dele nos torna dependentes. De resto, a concorrência genérica entre países que têm o turismo como uma das sua principais estratégias de desenvolvimento, como é o nosso caso, e a reafirmação da marca Portugal e da renovação de toda a promoção internacional em que o actual Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, envolveu todos os privados, torna ainda mais suspeita a “recomendação” da OCDE”. O responsável acrescenta: “Os argumentos falsos, primários, despudorados e populistas que são utilizados para justificar essa triste proposta mais nos humilham e vexam os empresários e os trabalhadores da hotelaria”. Segundo Luís Veiga, “a taxa efectiva do IVA da hotelaria é neste momento de cerca de 12%, dado que uma fatia significativa do negócio liquida IVA a 23%, ou seja, todas as comidas e bebidas e outras, sendo assim superior à de Espanha e Itália que é de 10%. A Irlanda ainda mais baixo, com 9%!”.
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06 May 2013
ex-SCUTS "A solução apresentada
Os pórticos nas ex-Scut poderão ter os dias contados. A Estradas de Portugal (EP) está a preparar uma proposta técnica para entregar ao Governo que apresenta como uma das alternativas a instalação de controlos nas entradas e saídas das autoestradas, dispensando assim os pórticos instalados nas antigas Scut, soubeo Negócios. Esta proposta tem como principal objectivo tornar o sistema de cobrança mais justo, como tem defendido o secretário de Estado das Obras Públicas, pagando os utilizadores pelos quilómetros que efectivamente percorrem. Para Luís Veiga, presidente da Associação daHotelariade Portugal (AHP), é uma solução que "não resolve o problema" dos turistas. AEP tem estado afazer um estudo técnico para melhorar o actual sistema de cobrança de portagens electrónicas e definir soluções que permitam a implementação de um modelo optimizado e mais eficiente do ponto de vista dos custos operacionais. Uma das propostas em análise passa por instalar controladores nas vias de acesso e de saída das autoestradas, um sistema tecnológico de leitura de matrículas que permita cobrar a cada um o que percorre. Esses controladores, que não criarão barreiras físicas, permitirão saber exactamente e onde o veículo entrou, onde saiu e quanto tem a pagar. Avançando essa solução, os actuais pórticos poderão vir a ser aproveitados no futuro sistema ou mesmo vendidos. O sistema seria gerido por uma plataforma tecnológica que permita ainda a interoperabilidade entre os sistemas português e o espanhol. "Esta solução foi-nos apresentada pela EP, na última reunião que tivemos, mas quanto a nós não satisfaz, uma vez que os turistas teriam de ter um sistema como o da Via Verde, e os espanhóis têm uma penetração muito reduzida do sistema equivalente", defendeu Luís Veiga. O presidente da AHP recordou ainda que muitas das regiões espanholas que fazem fronteira com Portugal não utilizam este sistema, "o que continuará a prejudicar a escapadela rápida a Portugal, por exemplo, durante os fins-de-semana". No final de 2011, em Portugal havia 3,3 milhões de identificadores (Via Verde), um valor que compara com os 2,1 milhões em Espanha. Entre as alternativas em análise está ainda a introdução de um "chip" obrigatório em cada veículo. Esta proposta iria conduzir à diminuição dos custos, designadamente" administrativos. Contudo, esta opção será mais difícil de implementar sem que seja apresentada uma alternativa Em 2012, a Estradas de Portugal arrecadou 153 milhões de euros com as portagens nas antigas Scut, mas essa cobrança custou 50 milhões de euros. Um valor que diz respeito aos custos para manter o serviço de cobrança nas ex-Scut, que integram 77 pórticos, além de outros equipamentos de apoio e recursos humanos e técnicos.Aredução desse custo é um dos objectivos da EP. A EP, a consultora Cap Gemini, a Brisa e a Ascendi, que têm trabalhado neste novo modelo, terão ainda de concluir a proposta que será entregue ao Executivo. O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, já confirmou estar em conversações com o homólogo espanhol para encontrar uma solução que satisfaça os dois países. O Governo prevê apresentar o projecto na próxima Cimeira Luso-Espanhola, agendada para 15 de Maio. A intenção do Executivo é que os dois sistemas sejam interoperáveis já a partir de Junho ou Julho. O sector do turismo tem defendido que a introdução de portagens nas ex-Scut tem afastado turistas do País. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) apresentou uma proposta à Estradas de Portugal (EP) que passa pela introdução de vinhetas que serviriam de pagamento das portagens. "É um sistema utilizado nalguns países, como na Suíça e Áustria, que acarreta menos custos e o controlo poderia ser feito pela GNR à saída das auto-estradas", explicou Luís Veiga, presidente da AHP. A proposta prevê a criação de uma vinheta anual, válida por um ano, de valor preferencialmente abaixo dos três dígitos, a ser colocada no pára-brisas dos veículos e intransmissível. Aos estrangeiros seria disponibilizada a venda de vinhetas válidas pelo período mínimo de um mês, com um valor facial de cerca de 10% da anual para matrículas nacionais. "As primeiras 24 horas seriam gratuitas para ser mais fácil a adopção", acrescentou o mesmo responsável. Na solução apresentada pela AHP, a fiscalização seria concretizada pela GNR aleatoriamente nas saídas das ex-SCUT, com uma penalização correspondente a um determinado múltiplo do valor anual ou mensal, dependendo da origem da matrícula Além disso, os hoteleiros sugerem a extinção das classes 2 e 4, passando a existir apenas duas categorias, sendo que a segunda não deveria ser superior a duas vezes o valor da primeira. Nesta proposta, os hoteleiros sugerem a criação de um logotipo único que facilmente fosse entendido pelos automobilistas. Ao Negócios, Luís Veiga acredita que "a solução apresentada pela AHP possa ser bem acolhida pela EP que ficou de analisar". Para a AHP, o sistema de vinhetas "permitiria o reforço de tráfego nas Scut". ATP
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02 May 2013
AHP vai continuar a opor-se às taxas turísticas
A providência cautelar que a AHP – Associação da Hotelaria de Portugal colocou em defesa dos seus associados e dos restantes hoteleiros do concelho de Aveiro a 31 de dezembro de 2012, e que suspendeu a aplicação da taxa turística, criada pelo município, foi julgada improcedente pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro. «A decisão do tribunal foi agora conhecida e estamos a analisá-la juntamente com os nossos associados para agirmos em conformidade», afirma Luís Veiga, o novo presidente da Associação da Hotelaria de Portugal. «A necessidade não fundamentada da autarquia de Aveiro de recolher cerca de 200 mil euros suplementares por ano coloca em causa a competitividade da oferta hoteleira de Aveiro, coloca em risco postos de trabalho. Voltamos a sublinhar: para a AHP e para os nossos 18 associados esta taxa municipal mais não é do que um imposto e não pretendemos baixar os braços», declara o responsável. Recorde-se que o Secretário de Estado do Turismo (SET), Adolfo Mesquita Nunes, recentemente criticou as taxas turísticas, considerando que «são dispensáveis custos de contexto adicionais àqueles que já existem». Na tomada de posse da nova direção da Associação da Hotelaria de Portugal, realizada este mês, o SET apelou a que todos os autarcas «ponderem os efeitos na economia local e na atividade turística».
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27 April 2013
Adolfo Mesquita Nunes
Diz ser pouco de planos e estratégias, gosta é de fazer. Desconfia do Estado e está no governo, ao lado do ministro que o seu partido, o CDS, quer remodelar para superar o modelo socialista de desenvolvimento. A entrevista ao Secretário de Estado do Turismo SUBIDA ANUAL DAS RECEPTAS No novo Plano Estratégico Nacional do Turismo, o governo prevê um crescimento médio anual de 3,7% nas dormidas e uma subida de 6,3% ao ano nas receitas do sector. O turismo vale 9% do PIB e 8% do emprego: é um dos mais importantes sectores exportadores e há quasetrês meses passou a ser tutelado por Adolfo Mesquita Nunes. Com 35 anos, é um dos mais jovens membros do governo. É jurista, mas tem um interesse especial pelas contas públicas, tendo sido um dos deputados mais críticos nas comissões parlamentares de orçamento e finanças e de acompanhamento do memorando datroika. No sector do turismo, a restauração tem um papel importante. O IVA a 23% nos restaurantes não é contraditório com o discurso de que o turismo é essencial para o país sair da crise e para o impulso às exportações? O IVA na restauração é um custo de contexto, que incide sobre o turismo. Não há forma de negar essa realidade. A situação de Portugal é aquela que conhecemos e esse foi um contributo que o sector da restauração foi chamadoa dar. O governo iniciou agora um grupo de trabalho que tem precisamente como objectivo estudar quais são os custos de contexto que incidem sobre o sector do turismo, para perceber se os efeitos positivos nas contas públicas são proporcionais aos custos que incidem sobre a atividade. O que me pareceu essencial quando comecei a tutelar a pasta do turismo, foi garantir que, nesse grupo de trabalho estariam representados, não só membros do governo, mas também as associações representativas do sector, para que o governo pudesse ouvir, emprimeira mão, as preocupações, os efeitos e as consequências. Vamos esperar que esse grupo de trabalho faça o seu trabalho. - Está fora de questão o regresso à taxa intermédia? - O grupo de trabalho vai estudar, não pode negar à partida soluções, nem essa nem a contrária. E nada disto depende exclusivamente da vontade da área tutelada, caso contrário, todos os governantesestariam a baixar a carga físcal. O que tenho feito na minha área em particular é eliminar e reduzir substancialmente algumas das taxas que incidem sobre a minha direta responsabilidade, e fazer os cortes de despesa necessários para acomodar essa quebra. - O sector da restauração fala em falências em massa, no aumento do desemprego. Um estudo divulgado há dias fala num recuo de 15% da faturação no sector da restauração em 2012. Estes números não opreocupam, não está em causa a qualidade do turismo português? - Qualquer quebra como esta é evidente que me preocupa. Associada ao aumento doIVA da restauração está, evidentemente também, a crise em Portugal, a crise no consumo, que também afeta a atividade. - E o que é que vai fazer? - Agora, como secretário de Estado do Turismo, achei importante trazer para esta reflexão os custos de contexto que incidem sobre o sector, que são muitos, e eu quero que nós, no governo, tenhamos consciência, juntamente com o sector, de todos esses custos de contexto: a carga fiscal, com certeza, a carga pré-fiscal, aquilo que se paga em direitos de autor e conexos, licenciamentos, taxas, porque é uma área muita transversal, e há muitos custos de contexto. - As receitas globais do IVA estão em queda há muitos meses. Tem valido a pena manter a taxa da restauração em 23%? - De acordo com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, a componente do IVA na restauraçãotem subido, as receitas têm subido. No cômputo geral, imagino que assim não seja, mas essa é uma pergunta que terá de lhe fazer, porque é ele que conhece os números, - O que está a fazer para reduzir os custos de contexto doturismo? - Estamos a rever o regime jurídico de licenciamento dos empreendimentos turísticos e vamos abolir a taxa que atualmente incide sobre as vistorias obrigatórias, que o Turismo de Portugal obriga aos hotéis no seuprocesso de licenciamento. Isto vai permitir uma folga nos processos de licenciamento, para além de os estarmos a agilizar. Depois há um processo muito importante, que é a alteração das taxas que incidem sobre as empresas de animação turística (kartings, rafting, guias, tudo o que pode entreter os turistas). As taxas que incidem sobre essas atividades são bastante grandes, estamos a reduzi-las para metade e estamos a liberalizar o acesso à profissão. - Quando diz que as taxas são bastante grandes, quer dizer o quê? - Podemos estar a falar de mil euros só para começar, e depois ter de pagar mais registos e ter que fazer o seguro obrigatório em atividades sem qualquer perigosidade. Estamos a rever os seguros obrigatórios, os registosobrigatórios e as taxas de acesso à atividade. A associação do sector da restauração entregou-me um documento no qual identifica que a sua atividade é contextualizada por 104 taxas. Passaremos para 103 e outras ficarão maisbaratas. - O plano estratégico para o turismo aponta para um crescimento médio anual de 3,1% nas dormidas, e para uma subida anual de 6,3% nas receitas. O ministro da Economia disse que a estratégia do governo deSócrates tinha sido demasiado ambiciosa, mas ainda há pouco tempo o presidenteda Associação da Hotelaria disse isso mesmo destas novas metas, que não sãoatingíveis. Afinal, as vossas metas são ou não realistas? - Em 2012, as receitas do turismo cresceram 5,6%, Em 2011 tinham crescido 7,2%, o quesignifica que o sector do turismo tem tido uma resistência notável, e quando digo notável é porque estou consciente dos custos de contexto que incidem sobre o sector, portanto nunca me cansarei de elogiar a forma como o sector do turismo tem reagido. Comparando estas metas com as que estavam previstas, estas não sósão realistas como são possíveis de alcançar, e estamos a trabalhar para isso.Considero que o turismo é o sector de atividade económica que mais oportunidadesoferece, neste momento, aos jovens ou menos jovens que queiram investir nestaárea, porque tem um enorme potencial e capacidade de crescimento. - O passado está cheio de estratégias erradas e de ilusões. Não basta propor metasmais realistas, procurar novos mercados e dizer que a prioridade é promover bemPortugal para ser bem-sucedido. Qual é a sua estratégia, o que é que o distinguedos outros ministros e secretarios de Estado, tanto mais que não tem experiênciano sector? O que é que fará de si um bom secretário de Estado? - Concordo com esses pressupostos. Sou pouco ou nada de estratégias, desconfio deplanos, gosto mais de fazer. Acho que um dos problemas do anterior planoestratégico é que tinha plano e estratégia a mais. Acho que um sector deatividade não pode depender da estratégia definida por um secretário de Estado,mesmo que ele seja do sector. Quando o Presidente da República me deu posse comosecretário de Estado, ele não me deu posse de capacidades divinatórias, nem metornou um deus capaz de compreender melhor o futuro do turismo do que osmilhares de agentes do sector. O que é que me distingue? Em primeiro lugar, essahumildade: saber que a estratégia do turismo depende mais de quem trabalha nosector do que do secretário de Estado. E depois, a profunda convicção de que éimportante dar ao turismo um relevo económico que ele não tem tido, O turismo é,de tacto, uma das áreas de atividade de maior potencial para investimento e paraos jovens. E o turismo não é só hotelaria e alojamento. Se visitar a BeiraInterior poderá ver como fabricas de lanifícios estão hoje convertidas emprojetos turísticos, como é possível estar a laborar e a fazer um projetoturístico ao mesmo tempo. E isto nasce da iniciativa de alguém que percebeu queturismo era mais do que ter um hotel. Uma universidade como a de Coimbra é umauniversidade, mas também é um polo turístico. O turismo é muito importanteeconomicamente, mas não é só esses 9% do PIB, nem esses 8% do emprego, porqueesses são normalmente os associados à hotelaria e à restauração, mas tudo oresto que pode ser chamado para projetar a marca de Portugal. Tudo aquilo quefaz as pessoas movimentarem-se para Portugal ou dentro de Portugal para viremconhecer uma determinada região é turismo, e eu procuro e quero chamar a atençãopara isso. Terceira coisa que acho que me pode distinguir é que, confesso, e nãotenho problema nenhum em dizê-lo, desconfio muito do Estado. E, portanto, aquiloque tenho dito ao sector é que, antes de me dizerem aquilo que querem que faça,me digam, por favor, aquilo que querem que não faça, porque o meu maior receio époder estar a prejudicar, com a minha atuação de governante, mesmo com a melhordas intenções, aquilo que é o normal desenvolvimento do sector da atividade. - O que é para si o Estado, para sabermos do que desconfia? - Desconfio da entidade estadual que chama a si, ao mesmo tempo,funções de regulação, fiscalização, financiamento, mecenato, legislação,licenciamento, O Estado é sócio maioritário na vida das pessoas e não pode ser,os resultados estão à vista. O que não significa que não haja um papel doEstado, é evidente que existe, e no turismo também. O que tenho dito é que parao turismo o Estado serviu para fazer um extraordinário plano estratégicoabsolutamente irrealista e que teve consequência práticas, porque isto depoisnão é só ideológico. Quando se tem um plano estratégico que determina que vamoster crescimentos absolutamente irrealistas na procura, o que se está a fazer é aconvidar os agentes do sector a acomodarem-se a essas expectativas de procura,portanto a criarem a oferta necessária para acomodar essa procura. - Então, neste momento, não existem expectativas irrealistas? - Considero que as expectativas que temos são realistas e atingíveis, mas quandoapresentei o plano disse que isto não é uma carta astral pela qual nos devemosregular, temos todos que nos responsabilizai por aquilo que fazemos. E por issoé que, dando importância, porque evidentemente é um documento estruturante doturismo em Portugal, considero que não é, nem pode ser entendido, como umaBíblia. - O plano estratégico do turismo aponta várias áreas deaposta, uma delas é o turismo de saúde. De que forma é que Portugal pode tornaruma posição de destaque no panorama internacional? - Temos um extraordinário Serviço Nacional de Saúde, em termos de credibilidadeinternacional, e aquilo que há a fazer - estive agora em Coimbra e o centrohospitalar de Coimbra já o está a fazer - é potenciar as falhas dos outrosserviços nacionais de saúde e, através do mercado das seguradoras, trazerpacientes para Portugal Estes pacientes vêm acompanhados das suas famílias paraaqui recuperarem e passarem algum tempo. Podemos associar também ao turismo desaúde algo que em Portugal está a começar a afirmar-se, que é o turismo debem-estar - os chamados spa & welness centres. - E em relação ao turismo residencial, quais são as metas? - Temos 5% de mercado de segunda habitação na Europa do Sul, que compara com 50% de Espanha, portanto, oobjetivo é crescer, porque esta quota de mercado é absolutamente desproporcional. Mas o Estado não é nenhuma agência imobiliária. O que o Estado tem de fazer é criar condições para que seja fácil a quem tenha vender, e a quem queria comprar. E é por isso que criamos um regime fiscal e do ponto de vista devistos, para aqueles que estão fora da Europa, que é interessante e competitivo.Vamos deixar o mercado funcionar e fazer o balanço no fim. Desconfio sempredaquela necessidade extrema - imposta pelos políticos, muitas das vezes, maspela comunicação social também - de nos comprometermos com metas, quando aexecução das coisas não depende de nós. O objetivo é fazer crescer a nossa quotade mercado para níveis proporcionais à atividade turística. - Existiam 10 mil casas disponíveis, não era? - Cerca de 10 mil casas disponíveis. Nós queremos aumentar a nossa quota, mas o Estado não é uma agênciaimobiliária. - Uma explicação apontada para os maus resultados dosector é a subestimação da importância do turismo, talam de marginalização, dedesvalorização social. A última campanha do Turismo de Portugal gerou uma enormepolémica, que foi até alvo de alguma critica por parte de publicitários, comoPedro Bidarra, e do humorista Bruno Nogueira, que referiram a imagem desubserviência com que os portugueses apareciam face aos turistas que visitavamPortugal. Concorda que existe essa imagem dos portugueses? - Três coisas. Em primeiro lugar, essa não era uma campanha do Turismo de Portugal,isso foi uma campanha para os profissionais do sector, para explicar qual vaiser o lema, a imagem e a ideia da campanha que vai ser apresentada mais tarde.Segunda coisa, importante, qualquer que seja a campanha do Turismo de Portugalé, para mim, uma matéria técnica. Não há um secretário de Estado que consigafazer uma campanha para o Turismo de Portugal, mesmo que venha do sector. E porisso é que eu nunca estarei a apresentar uma campanha do Turismo de Portugal.Não é que não assuma responsabilidade política por ela, assumirei quando elaaparecer, e assumo também por essa. O que eu não quero é que o próximosecretário de Estado, que há de aparecer um dia, queira substituir a campanhaapenas porque é a campanha do Adolfo Mesquita Nunes. Temos de acabar com apolitização daquilo que é uma matéria técnica, e que é uma matéria que deve serdeixada aos profissionais. Confio mais na opinião do Pedro Bidarra, apesar deser uma opinião crítica, do que na minha. Quanto a essa opinião, se lançar umacampanha neste auditório em que nos encontramos, provavelmente 50% das pessoasirão dizer que a campanha é extraordinária, e os outros 50% que a campanha éabsolutamente desastrosa. É por isso que estamos a trabalhar no novo modelo depromoção para o próximo ano, de 2014, e eu não estou a decidi-lo sozinho. Lanceiuma discussão dentro do sector, focada, e convidei para participar na discussão,quer as entidades regionais de turismo quer as agências regionais de promoção doturismo quer as associações representativas do sector. - Mas qual é a sua opinião sobre a campanha e concorda com essa imagem de subserviência que foiapontada? - Discordo que seja uma imagem de subserviência. - E a sua opinião sobre a campanha? - O objetivo da campanha, antecipando um bocadinho da campanha que ai vem, é dizer que aquilo quedistingue Portugal de outros destinos são as pessoas. E se me pergunta seconcordo que em Portugal nós somos o nosso maior ativo turístico, digo-lhe quesim. Se vir campanhas publicitárias de vários países, vai ficar com a convicçãode que elas são todas iguais. Todas prometem a melhor praia, o melhor sol, amelhor experiência, a melhor gastronomia. O que é que Portugal tem para sedistinguir, além desses produtos, e que pode fazer de facto a diferença? Seperguntar em qualquer inquérito aos estrangeiros, aquilo que efetivamente maisos marcou foi a hospitalidade dos portugueses. E não é subserviência. - Vai assumir a tutela da ASAE e da Defesa do Consumidor? - Vamos esperar pela delegação de competências nesse sentido. - Miguel Macedo defende a passagem da tutela da ASAE da Economia para a AdministraçãoInterna, pelo facto de a autoridade de segurança alimentar e económica terpoderes semelhantes aos da PSP e de, por isso, fazer sentido juntar a tutela detodas as policias. Concorda com essa leitura? - Não me cabe a mim pronunciar-me sobre despacho de delegação de competências que são da competênciado primeiro-ministro e de ministros. - Antes de entrar para o governo, foi um dos maiores críticos do Orçamento do Estado e da política de aumento deimpostos do ministro das Finanças. Esse seu passado recente dificulta o diálogocom Vítor Gaspar? - Não. As opiniões que expressei publicamente sempreas troquei em privado com o ministro Vítor Gaspar. Este é o orçamento com quetenho de trabalhar e é o orçamento com o qual vou trabalhar. - Quando deixamos de o ouvir a criticar o ministro, é por uma questão de lealdadeinstitucional ou é porque passou a acreditar neste orçamento? - Nunca critiquei o ministro, critiquei o Orçamento do Estado, que é aquele que existe,com o qual estou a trabalhar. Se me pergunta se é o mesmo que eu critiquei, é. - E, portanto, mantém as criticas que fez, mas deixaremos de o ouvirpor uma questão de lealdade institucional? - Não é por uma questão de lealdade institucional. As criticas fazem sentido enquanto se aprova oorçamento. Neste momento, é o meu orçamento e estou empenhado em executá-lo damelhor forma possível, em contribuir para que o próximo Orçamento do Estado,naquilo que depender de mim, que não é muito porque é uma Secretaria de Estado,possa ser melhor. - Nas últimas semanas, o seu partido, o CDS, atravésde António Pires Lima, voltou a pedir a remodelação do ministro da Economia, oseu ministro. Ficou incomodado, ou surpreendido com estas declarações? - Não o ouvi pedir a remodelação do ministro. - Ele falouespecificamente na área da Economia. E não foi a primeira vez. - Não oouvi pedir a remodelação do ministro, tanto é que não citei nenhuma declaraçãonesse sentido. - O que é que ouviu então? - O que eu digo é, e aí sim posso falar em lealdade institucional, a minha lealdade institucional,é primeiro para com o primeiro-ministro, e depois para com o ministro da minhatutela, que é o ministro Álvaro Santos Pereira. E essa lealdade existe, e éabsoluta, e mais uma vez digo, não é nenhum sacrificio. - E é uma questão de lealdade institucional, ou Álvaro Santos Pereira é um bom ministro daEconomia? - É um bom ministro da Economia. - E porque é queé um bom ministro da Economia? - É o ministro da Economia com o qualpartilho a convicção de que Portugal tem de alterar o seu modelo socialista decrescimento e desenvolvimento. - E quais são as qualidades que ÁlvaroSantos Pereira tem para o caracterizar como um bom ministro da Economia? - Penso que este programa ainda não é um Big Brother ou umconfessionário. Estou aqui para discutir política e não para discutir perfispessoais. - Questiono-lhe as características enquanto ministro, nãoenquanto pessoa. - Aquelas que tem manifestado no exercício do cargo. - E quais são? - É este compromisso com a superação domodelo socialista de desenvolvimento que nós temos. - Mas nota umaevolução do perfil político do ministro desde que tomou posse? No início oministro foi criticado por ser uma pessoa com conhecimentos, sobretudo,académicos, e sem conhecimento real do tecido económico nacional -Isso mudou? - Eu não sou comentador político. - É difíciltrabalhar com um ministro de quem se diz constantemente que tem os dias contadosno governo? - Isto não é um confessionário. Já lhe disse que trabalhobem com o ministro Álvaro Santos Pereira. Tenho lealdade para com ele e não énenhum sacrificio. - Não se vê o PSD a pedir a remodelação deministros do CDS. Este episódio não pode ser interpretado como uma espécie detraição? - Ainda não me conseguiu citar uma única declaração em quefosse pedida a remodelação de um ministro. Procure-a e eu volto cá paracontinuarmos a entrevistain Diário de Notícias/ Dinheiro Vivo, por Sílvia de Oliveira e Hugo Neutel (TSF)