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Notícias

27 March 2018

Portugueses esgotam Albufeira e Vilamoura na Páscoa

Hotéis estão mais cheios nesta Páscoa e muito por culpa dos portugueses.    No Algarve e no Porto, 80% das camas estão reservadas; em Lisboa espera-se "grande ocupação"   Albufeira, Vilamoura e o Sotavento já têm lotação esgotada para a Páscoa Mas a ocupação dos hotéis algarvios, no global, deverá rondar "apenas" os 80%, um pouco acima dos números do ano passado, mesmo sem ajuda do sol e do calendário. A casa mais cheia fica a dever-se aos portugueses que, lembra ElidéricoViegas, reataram a tradição e voltaram a rumar a sul.     No Porto e Lisboa são os estrangeiros que enchem os hotéis.     "Não é o Algarve de agosto, mas temos alguns hotéis com 100% de ocupação", diz o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, que aponta o dedo ao calendário que trouxe a Páscoa mais cedo e temperaturas que desencorajam os turistas.     Para já, os hotéis Minor do Algarve estão com ocupações previstas de 60% a 70%, mas os próximos dias ainda são de forte agitação. "É durante estes últimos quatro dias que recebemos um volume considerável de reservas.     Contamos fechar com ocupações de 80% a 90%", antecipa João Jesus, diretor de vendas do grupo, que comprou os hotéis Tivoli e, no Algarve, conta com seis unidades hoteleiras. As perspetivas para a Páscoa são mais animadoras do que no ano passado, por isso o grupo tailandês antecipou a reabertura do Tivoli Lagos, que estava encerrado para obras de remodelação desde novembro de 2017 e que abriu portas neste sábado.     A falta do sol não tem de ser um travão às miniférias, diz Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, que realça a crescente procura por novas atividades que ajudam a dinamizar a região. "O Algarve apostou fortemente numa maior diversidade como alternativa ao sol e à praia."     Os novos produtos, realça por sua vez Dora Coelho, diretora executiva da Associação de Turismo do Algarve, fazem diferença na captação de novos públicos, "como os EUA, o Brasil, a Escandinávia ou a França", que estão a chegar com mais força e são fundamentais para "criar alternativas face ao nosso mercado principal, que continua a ser o Reino Unido".     Na Páscoa, o Algarve espera atrair, além de portugueses, mais franceses, alemães e holandeses.     Os espanhóis é que, diz Elidérico Viegas, continuam a marcar passo por causa das portagens da Via do Infante.     A diversidade de nacionalidades sente-se por todo o país, destaca o Grupo Vila Galé, com21 hotéis em Portugal. "Portugueses, espanhóis, alemães e britânicos são os principais clientes, todos com crescimentos no número de noites reservadas em relação ao mesmo período de 2017."     Para as miniférias da Páscoa, o grupo prevê que a taxa de ocupação supere os 80%, com mais camas ocupadas a Norte. "Ainda temos alguns quartos disponíveis, mas há já unidades praticamente esgotadas como o Vila Galé Collection Douro, Vila Galé Porto, Vila Galé Porto Ribeira, Vila Galé Évora ou Vila Galé Clube de Campo (Beja).     As taxas confirmam a expectativa da entidade do Turismo do Porto e Norte de Portugal, que coloca a taxa de ocupação da Páscoa acima dos 80% nos 86 concelhos da região. Em 25 municípios, no entanto, as camas esgotaram. Falamos de Bragança, Arcos de Valdevez, Baião, Melgaço, Ponte de Lima, Viana do Castelo e Vimioso.     Na área de Lisboa, a Associação de Turismo espera uma subida da ocupação de 2% a 3%. Vítor Costa, diretor-geral, lembra que "é um período de grande ocupação", sobretudo por turistas espanhóis.     O Iberostar Lisboa, junto ao Marquês de Pombal, confirma: a taxa de ocupação ronda os 85% e os espanhóis representam 30% da ocupação estrangeira, diz Inmaculada Munoz, diretora do hotel.     Raul Martins, administrador do Altis e presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, admite que a perspetiva é otimista para o geral do país e que no inquérito realizado pela associação 35% dos hote- " leiros esperam casa mais cheira, e 80% uma manutenção ou melhoria das receitas. "Apenas o Alentejo e os Açores não seguem a tendência de crescimento." No Grupo Altis, a boa expectativa mantém-se "com a melhoria da ocupação a destacar-se em Lisboa e na Madeira". Os turistas nacionais serão os principais clientes.     Na Riviera portuguesa, o Sheraton Cascais tem o fim de semana lotado, repetindo os bons números do ano passado. Com uma diferença: "Neste ano, o preço médio está 15% acima. A Páscoa vem consolidar o bom arranque do ano no Sheraton Cascais Resort. O primeiro trimestre de 2018, mesmo excluindo o efeito Páscoa, está muito acima do homólogo e está em contraciclo ao registado na região. Ou seja, a taxa média de ocupação da região situa-se nos 25%, enquanto nós atingimos os 50%."     A procura por alojamentos no Airbnb não difere. Lisboa, Porto e Algarve são os mais procurados.     A plataforma espera 92 mil hóspedes em Portugal, o 11.° país com maior procura neste período. Mas também há portugueses, cerca de 18 mil, a usar o Airbnb para ir para fora. E para onde vão os portugueses? Paris, Londres e Ponta Delgada são as primeiras escolhas, seguidas de Barcelona, Amesterdão ou Funchal. Mais longe, "a seleção recai sobre a ilha do Sal ou Marraquexe.     A TER EM CONTA     Qual o melhor dia para viajar?     > Sexta-Feira Santa é o melhor dia para viajar, mostra a Airhelp. A empresa que ajuda a reclamar uma compensação por atraso ou cancelamento de voos analisou a Páscoa de 2017 para concluir que 91% dos voos feitos naquele dia chegaram ao destino dentro do horário previsto. Por outro lado, a quarta-feira antes da Páscoa foi o dia mais propício a perturbações: 25% dos voos chegam ao destino com atraso. Para os que vão apanhar o avião, o pior horário para viajar é o princípio da tarde. 25% dos voos entre as 12.00 e as 15.59 aterram fora de horas.   in Diário de Notícias, por Ana Margarida Pinheiro

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23 March 2018

Opinião | A Nova Legislação de Proteção de Dados

Daqui a menos de 3 meses (25 de maio de 2018) ex aequo em todos os países da União Europeia, em todas as entidades públicas e privadas, incluindo entidades subcontratadas, será aplicado o novo Regulamento de Proteção de Dados (RGPD). Em todas as entidades?! Sim, em todas as que procedam ao tratamento de dados pessoais de cidadãos europeus, independentemente da sua localização. Ou seja, basicamente quaisquer entidades que procedam à venda de produtos e à prestação de serviços (ainda que de forma gratuita) ou efetuem profiling, na UE, estão sujeitas ao novo Regulamento. O que muda, portanto, é para todos. Os hotéis são apenas uma “pequena” fatia das empresas que vão ter de se adaptar. Uma “pequena/grande” fatia! Todos os hotéis processam e armazenam informação pessoal e financeira, necessária à prestação do serviço, mas também informação para personalizar a experiência do Cliente, criar programas de fidelização e ofertas dirigidas, a que se associa a diversidade de acessos para reservas via internet e online, transferência de dados para entidades terceiras e, ainda, a informação dos colaboradores internos. Ora, vários estudos publicados recentemente identificam o setor como um dos mais vulneráveis a incidentes de segurança e tentativas de roubo de dados dos Clientes por hackers. É, por isso, ainda mais oportuno revisitar a necessidade de as empresas hoteleiras assegurarem a conformidade com o novo Regulamento. O Regulamento Em traços muito gerais, este regulamento vem substituir a Lei de Proteção de Dados (LPD) em vigor desde 1998 e que teve como principais linhas orientadoras harmonizar a legislação de Proteção de Dados na União Europeia, tornar o regime jurídico mais claro para as organizações e para os titulares dos dados e adaptar as regras de privacidade à nova era digital. Grande parte das novas obrigações não são tão novas assim, visto que já estavam contempladas na atual LPD, mas há alterações significativas, das quais apenas enunciamos abaixo algumas, e que devem merecer especial atenção dos nossos Associados. Uma delas: a maioria das atividades dos hotéis obriga ao consentimento do titular dos dados. O consentimento deve ser expresso de forma livre, apresentado numa linguagem clara e simples e identificar o propósito do tratamento, isto significa que o consentimento tem de ser dado de forma positiva e para cada finalidade de tratamento. Note-se que o titular pode, a qualquer momento, retirar o consentimento. E os direitos dos titulares dos dados são reforçados, concretamente, aceder aos seus dados pessoais, solicitar retificação, eliminação e/ou transferência dos dados para outras empresas (portabilidade, etc.). Vários outros princípios têm impacto direto nas organizações: A proteção dos dados desde a concepção e por defeito obriga as organizações a aplicar as medidas técnicas e organizativas adequadas, garantindo que os dados são tratados para cada fim específico e que são recolhidos apenas os dados necessários ao tratamento. No caso de violação de dados pessoais, é obrigatório ter processos implementados que permitam informar a autoridade de controlo num prazo de 72 horas, bem como no caso de elevado risco para o titular, comunicar-lhe essa violação sem demora. Sempre que a especificidade do tratamento implicar um elevado risco (e, por exemplo, uma nova aplicação ou website ou tratamentos massivos é de elevado risco) as organizações devem proceder, antes de iniciar o tratamento, a uma avaliação do impacto sobre proteção de dados (PIA). De destacar ainda a função de Encarregado de Proteção de Dados, que, quando obrigatória ou recomendada, pode ser exercida por um recurso interno ou em regime de outsourcing, cujas funções e responsabilidades são vastas e muito exigentes. Finalmente o conceito de responsabilidade (accountability) implica que a organização comprove que são cumpridos todos os princípios relativos ao tratamento de dados pessoais. Impacto na Hotelaria Para estarem preparadas para a entrada em vigor do regulamento, todas as empresas devem desenvolver, ou melhor, já deviam ter encetado, auditorias às políticas, processos, sistemas e aplicações informáticas no sentido de, no mais curto prazo, atingirem a conformidade com o regulamento e, assim, evitarem a aplicação de coimas e riscos reputacionais. A proteção de dados tem de ser claramente assumida pelo setor. A AHP tem vindo a enfatizar todo o esforço de recursos humanos e financeiros para desenvolver o trabalho de adoção do RGPD junto dos hotéis. Todavia, importa referir que, sendo esta uma necessidade, tem também aspetos positivos quando implementado, de que destacamos: o aumento da confiança dos Clientes e a sensibilização dos colaboradores, especialmente de frontoffice, que poderá evitar a ocorrência de situações desagradáveis e reclamações.  Para apoiar os seus Associados, a AHP, em parceria com a PKF e a ProtectData, especialistas em proteção de dados, criou um gabinete específico que poderá ser utilizado pelos hotéis associados que pretendam apoio externo para o diagnóstico da situação atual e implementação das medidas necessárias à obtenção da referida conformidade. Uma mensagem final: na matéria somos todos interessados, quer enquanto titulares de dados, quer enquanto responsáveis em empresas ou entidades obrigadas ao cumprimento do regulamento. *Opinião de Cristina Siza Vieira, presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal.   in Publituris

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20 March 2018

Lisboa sobe cinco posições e já é a 38.ª cidade com melhor qualidade de vida

A capital portuguesa subiu cinco posição no ranking das cidades com melhor qualidade de vida em todo o mundo e ficou no 38.º lugar, à frente de cidades como Paris, Londres, Milão, Madrid e Nova Iorque. Viena, capital da Áustria, volta a ocupar o primeiro lugar, o que acontece há nove anos consecutivos, segundo o estudo “Quality of Living 2018”, da consultora internacional Mercer. O ranking faz uma comparação entre 231 cidades em todo o mundo, analisando um total de 39 critérios, agrupados por 10 categorias, relativos a temas tão diversos como o ambiente social e político, ambiente económico, serviços médicos e sanitários, educação, serviços de transportes, entretenimento, habitação ou factores naturais, como o clima. No caso de Lisboa, a Mercer explica a subida de cinco posições no ranking pela melhoria “na classificação da categoria associada ao crime na cidade, que melhorou face ao ano anterior”, lê-se na informação enviada pela consultora à imprensa. “Com esta subida, a capital portuguesa conseguiu ultrapassar cidades como Paris (39.º lugar), Londres (41.º lugar), Milão (42.º lugar) e Barcelona (43º. Lugar) e manter-se acima de cidades como Madrid (49.º lugar) e Nova Iorque (45.º lugar)”, acrescenta a mesma informação. O ranking mundial é liderado por Viena, seguindo-se Zurique, na Suíça, que ficou com a segunda posição, bem como Auckland, na Nova Zelândia, e Munique, na Alemanha, ambas na terceira posição. Vancouver, no Canadá, fecha o Top5 de cidades com melhor qualidade de vida em todo o mundo. Na Europa, destaque ainda para a descida de três posições da cidade de Estocolmo, capital da Suécia, que ficou na 23.ª posição depois do atentado terrorista sofrido, enquanto Oslo, na Noruega, subiu seis posições, fixando-se no 25.º lugar. Já na América do Norte, Vancouver foi a cidade melhor posicionada, surgindo no quinto lugar do ranking mundial, enquanto na América do Sul o destaque para Montevideu, no Uruguai, que ficou na 77.ª posição do ranking. No Médio Oriente, a cidade melhor classificada foi o Dubai, em 74.º lugar, enquanto Port Louis, nas Maurícias, é a cidade africana que mais acima surge, tendo sido classificada na 83.ª posição. Na Ásia-Pacifico, por sua vez, Singapura continua a ser a cidade com melhor classificação, ocupando o 25.º lugar, enquanto a Nova Zelândia e a Austrália continuam a estar no topo do ranking de qualidade de vida com Auckland (terceiro lugar), Sydney (10.º lugar), Wellington (15.º lugar) e Melbourne (16.º lugar) a permanecerem no top 20. Em jeito de conclusão, a Mercer refere que “as cidades das economias emergentes, apesar da instabilidade económica e política, estão a conseguir aproximar-se das cidades com melhores classificações, através do elevado investimento em infraestruturas, espaços de entretenimento e habitação. Desta forma, estas cidades procuram reforçar o seu posicionamento para atrair talento e captar projectos de investimento de empresas multinacionais”. O estudo “Quality of Living” é realizado anualmente pela consultora internacional para que empresas multinacionais e outras organizações sejam competitivas na compensação dos seus colaboradores de uma forma justa sempre que os destacam para o estrangeiro em trabalho. in Publituris

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19 March 2018

Lisboa ainda não é Barcelona? Não está assim tão longe

Lisboa tem oito mil turistas por mil habitantes. Dois hotéis e 107 alojamentos locais por quilómetro quadrado. A frota de autocarros reduziu-se em 23% na década em que o número de hóspedes subiu 70%.   A Área Metropolitana de Lisboa (AML) superou os seis milhões de hóspedes em 2017. Paula Nunes/ECO   “Sobrecarga são 35 milhões”. A 19 de março de 2017, Ana Mendes Godinho resumia assim, numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF , o que entende por sobrecarga turística . A secretária de Estado do Turismo referia-se ao número de visitantes que Barcelona recebe anualmente e comparava este valor com os números portugueses, significativamente inferiores. Por essa altura, Portugal registava perto de 19 milhões de hóspedes por ano e a região de Lisboa recebia 5,6 milhões. “Gosto de lembrar alguns números que põem estes assuntos no seu devido lugar”, dizia então a governante.     Entretanto, Portugal superou os 20 milhões de hóspedes e a região de Lisboa já dá cama a mais de 6 milhões de turistas por ano. Tudo isto sem contar com o alojamento local. A resposta mantém-se: ao ECO , a secretária de Estado reitera que não concorda com “a afirmação de que Portugal tem turistas a mais”. A ideia resume, de resto, aquela que também tem sido a posição de outros governantes, responsáveis camarários e empresários do setor: Lisboa conheceu um crescimento rápido e explosivo do turismo nos últimos anos, mas continua longe de se tornar numa Barcelona, Veneza, Berlim ou Amesterdão, todas cidades onde o conceito de “sobrecarga” não é tabu , mas uma realidade tratada com legislação. Onde fica Lisboa, afinal, quando comparada com estas quatro cidades?     É verdade que os números absolutos da capital portuguesa quase nem são comparáveis aos destas cidades, mas importa também colocá-los no seu devido lugar: à escala. Eis alguns deles: a cidade de Lisboa recebe oito mil turistas por cada mil habitantes, um rácio superior ao de Barcelona ou ao de Berlim, e regista mais de 19 mil dormidas por habitante, acima de Amesterdão. Tem dois hotéis por quilómetro quadrado, número só inferior ao de Barcelona. Tem 107 alojamentos locais por quilómetro quadrado, cinco vezes mais do que em Berlim e duas vezes mais do que em Amesterdão. A frota de autocarros e elétricos reduziu-se em 23% entre 2005 e 2016 e a do metro reduziu-se em 2%.   Hotéis e hóspedes em Lisboa duplicaram numa década…   Olhar para a evolução do turismo em Lisboa ao longo de uma década é olhar para uma história de crescimento com poucos paralelos noutros setores da economia portuguesa. Desde logo, importa distinguir área metropolitana de cidade. De facto, no que diz respeito à área metropolitana, onde se incluem concelhos como Vila Franca de Xira, Alcochete ou Mafra, pode dizer-se que Lisboa está longe da saturação turística. Por outro lado, quando se limita a análise à cidade de Lisboa, e comparando-a às cidades de Barcelona, Berlim, Amesterdão e Veneza, o caso é outro e os indicadores de umas e outras não são assim tão diferentes.     Desagregando a cidade da Área Metropolitana, não há indicador que não cresça a dois dígitos, ou mesmo a três, durante o período analisado, de 2005 a 2016. Partindo de 2005: Lisboa tinha 93 hotéis e pensões, num total de 13 mil quartos, recebia 2,3 milhões de hóspedes, responsáveis por cinco milhões de dormidas, e registava proveitos hoteleiros totais de 347 milhões de euros. Por essa altura, não se conhecia a real dimensão do alojamento local, que, apesar de existir, não tinha assumido a proporção de hoje.     No espaço de uma década, só por duas vezes o turismo em Lisboa assistiu a contrações: 2008 e 2009, anos de pico da crise internacional. De resto, foi sempre a subir e a capital chegou a 2016 com quase o dobro dos hóspedes, das dormidas e dos proveitos hoteleiros: pouco mais de quatro milhões de hóspedes, 9,7 milhões de dormidas e 692 milhões de euros em proveitos totais da hotelaria. Estes números nunca têm em conta o alojamento local, um subsetor para o qual ainda não existem estatísticas oficiais – isto apesar de já existirem mais camas em unidades de alojamento local do que na hotelaria tradicional , pelo que os valores reais do turismo em Lisboa serão significativamente superiores aos que são contabilizados oficialmente.     Alojamentos locais mais do que duplicam em dois anos     Ler Mais     Já em 2017, a Área Metropolitana de Lisboa registou mais de seis milhões de hóspedes e 14 milhões de dormidas, mas o Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda não disponibilizou estes dados, relativos ao conjunto do ano passado, desagregados para a cidade de Lisboa. Nos últimos anos, a cidade respondeu, em média, por 72% dos hóspedes e das dormidas da área metropolitana. Assumindo essa proporção, a cidade de Lisboa terá registado 4,4 milhões de hóspedes e 10,3 milhões de dormidas em 2017. Nesse ano, contava já com 204 hotéis e pensões, num total de mais de 21 mil quartos e 36 mil camas, de acordo com os números do Turismo de Lisboa. Ao mesmo tempo, contavam-se 10.700 alojamentos locais com capacidade para 24 mil quartos e 52 mil camas, segundo os dados fornecidos pela Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) ao ECO.     Apesar de a evolução percentual ser superior (também porque a base de partida era mais baixa), os números absolutos de Lisboa ficam aquém das restantes cidades analisadas. A comparação, em termos de hóspedes, é a que se mostra no gráfico seguinte.   Evolução do número de hóspedes desde 2005       Também no que toca a dormidas os números absolutos são inferiores aos das restantes cidades, como se vê no gráfico.   Evolução do número de dormidas desde 2005       Em alguns casos, o número de hóspedes e de dormidas não é suficiente para avaliar a sobrecarga de turismo, uma vez que o número de turistas que a visitam mas que acabam por não ficar hospedados é significativo. Em Veneza, por exemplo, estima-se que todos os anos, cheguem 30 milhões de visitantes. Contudo, a cidade só regista 4,6 milhões de hóspedes e 10,5 milhões de dormidas, números semelhantes aos de Lisboa.   … O que significa isto para quem lá vive?   Questionada pelo ECO sobre este assunto, a secretária de Estado do Turismo começa por referir que “ a sobrecarga turística envolve vários indicadores e não existe um indicador único e consensual sobre a forma como se calcula “. Entre os vários indicadores que podem considerar-se, há a relação entre o número de hóspedes e de habitantes, a relação entre o número de hóspedes e de imóveis disponíveis, a perceção do turista e a sua vontade de voltar a determinado local ou a perceção de aglomeração sentida pelo habitante, enumera Ana Mendes Godinho.     De facto, não existe um conceito oficial de “sobrecarga turística”. Esta é, aliás, uma lacuna que Miguel Coelho, presidente da junta de Santa Maria Maior, uma das três freguesias de Lisboa onde se concentra 58% de todos os alojamentos locais do município (as outras duas são Misericórdia e São Vicente), pede que seja resolvida.     Mas, pegando em alguns dos indicadores sugeridos pela secretária de Estado, e ainda noutros utilizados pelo Eurostat ou por organizações como o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), é fácil de concluir que Lisboa não está longe das cidades que estão a impor limites ao turismo.     Começando pela proporção de hóspedes e de dormidas em relação ao número de habitantes. Ao contrário do que acontece em Barcelona, Berlim e Amesterdão, onde a população aumentou na última década, a cidade de Lisboa perdeu habitantes, passando de uma população de 555 mil pessoas em 2005 para cerca de 505 mil em 2016 . Assim, nesse ano, a capital registou oito mil turistas e 19 mil dormidas por cada mil habitantes. Na União Europeia, segundo os dados do Eurostat, registou-se, em 2015, uma média de 5.292 dormidas por mil habitantes. O gabinete de estatísticas europeu considera que, no que toca a dormidas, há sobrecarga a partir das 20 mil noites por mil habitantes.     Portugal bate recorde com 20 milhões de turistas em 2017     Ler Mais     Quanto à relação de hóspedes por habitantes, Lisboa só fica atrás de Amesterdão (embora muito próxima) e de Veneza , como se vê no gráfico.  Lisboa regista 8 mil hóspedes e 19 mil dormidas por mil habitantes    Outro indicador que importa analisar é a relação entre turistas e fogos disponíveis para habitação, como a secretária de Estado também apontou. Esse é, contudo, um dado difícil de obter. Apesar da insistência, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) não forneceu ao ECO os dados pedidos sobre o número de fogos destinados à habitação (ocupados e vagos) que existem no município. Assim, consideraram-se os dados do INE relativos ao número de alojamentos familiares clássicos: em 2016, eram 323.580. Isto significa, tendo em conta os 10.700 alojamentos locais registados em Lisboa no final do ano passado, que cerca de 3% das casas existentes no município servem como alojamento para turistas. Mas há freguesias onde esta proporção é muito mais expressiva. Um estudo encomendado pela Associação da Hotelaria de Portugal ( AHP ) às faculdades de Direito e de Economia da Universidade Nova de Lisboa mostrava que, em 2016, 22% das casas existentes na freguesia de Santa Maria Maior estavam registadas na plataforma Airbnb .     Quanto aos fogos vagos, só há dados relativos aos Censos de 2011, altura em que existiam 322.865 alojamentos familiares, dos quais 50.209 estavam disponíveis para arrendar ou para outros fins. Ou seja, do total de alojamentos familiares, cerca de 15% estavam vagos. Assumindo que esta proporção se mantém, existiriam, em 2016, cerca de 48.500 fogos vagos. Significa isto que, por cada fogo disponível, Lisboa tinha 83 hóspedes . Aqui, Lisboa fica atrás das restantes cidades. Com base em dados do Eurostat, Barcelona teria 110 hóspedes por cada alojamento vago e Berlim teria 115. Não foi possível encontrar estes dados para Veneza e Amesterdão.     Há uma freguesia onde o preço das casas subiu 17% em 3 meses     Pode também contabilizar-se a distribuição de estabelecimentos turísticos pela cidade. Lisboa contava, no ano passado, dois hotéis e 107 alojamentos locais por quilómetro quadrado, números que só são ultrapassados em Barcelona . Na cidade catalã, encontram-se 6,8 hotéis e 186 alojamentos locais por quilómetro quadrado. Berlim não chega a ter um hotel por quilómetro quadrado e só tem 20 alojamentos locais nessa área. Amesterdão tem, tal como Lisboa, dois hotéis por quilómetro quadrado, mas apenas 58 alojamentos locais. E Veneza tem um hotel e 16 alojamentos locais.   Lisboa tem 2 hotéis e 107 alojamentos locais por quilómetro quadrado  Resta, ainda, avaliar o peso do turismo sobre os serviços públicos. O caso dos transportes é paradigmático . No caso da Carris, a queda da frota disponível é uma constante ao longo da última década. Em 2005, a empresa de transporte público contava com 797 autocarros, 58 elétricos e oito ascensores, num total de 851 unidades. Em 2016, oferecia 599 autocarros, 48 elétricos e os mesmos oito ascensores, num total de 655. A frota total reduziu-se, assim, em 23% neste período. Já a frota do Metropolitano de Lisboa reduziu-se em 1,7% nesta década, totalizando 111 unidades triplas operacionais (sendo que o “atraso na execução de tarefas de manutenção periódica e obrigatória” levou a que apenas 77% da frota total estivesse disponível para circular nesse ano, o que reduz o total para 85 unidades triplas). Isto apesar de a rede metropolitana ter aumentado, com a inauguração das estações da Reboleira e do Aeroporto.     Carris: Trabalhadores aplaudem gestão, utentes contestam    Tudo isto num período em que a população da cidade se reduziu em 9%, mas em que o número de turistas aumentou em mais de 70%. De referir, ainda assim, que a Carris anunciou que vai comprar 250 novos autocarros até 2020 . Como termo de comparação, entre 2006 e 2016, Barcelona reduziu marginalmente a frota de autocarros de transporte público, de 1.066 para 1.060 autocarros (uma redução de 0,5%), mas aumentou a frota do metropolitano de 135 para 171 comboios neste período (um aumento de 26%).     Vítor Costa, diretor-geral da Associação Turismo de Lisboa (ATL), reconhece a necessidade de “haver uma drástica melhoria dos transportes públicos e de criar políticas sociais para que as populações originais permaneçam nos bairros históricos, de forma digna e com custos comportáveis”. Mas rejeita que o crescente número de turistas em Lisboa seja “visto como um fenómeno negativo” que deva ser travado. “Quanto aos transportes públicos, não é limitando a procura turística que se consegue a sua melhoria, antes pelo contrário. Sendo essa melhoria boa para os visitantes, que passam alguns dias em Lisboa, ela é sobretudo boa para os residentes que utilizam transportes públicos diariamente ao longo do ano”.   “Não concordo com a afirmação de que Portugal tem turistas a mais”   Questionadas sobre estes números, Secretaria de Estado do Turismo, Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e Associação Turismo de Lisboa assumem uma posição semelhante: os benefícios do turismo ultrapassam os constrangimentos que o mesmo traz, não há turismo a mais em Lisboa e há espaço para crescer.     “Não concordo com a afirmação de que Portugal tem turistas a mais. Muito pelo contrário, temos ainda um imenso potencial de crescimento . Um crescimento sustentável nas suas várias dimensões e, por isso, assumimos uma estratégia para o turismo a 10 anos”, responde ao ECO a secretária de Estado do Turismo. Para Ana Mendes Godinho, depois de dois anos em que o Governo desenvolveu “trabalho no sentido de promover um maior crescimento em valor deixado no território, aumento do emprego e alargamento da atividade turística ao longo de todo o ano e de todo o território”, o que “é necessário é continuar este trabalho de planeamento e monitorização”.     Não concordo com a afirmação de que Portugal tem turistas a mais. Muito pelo contrário, temos ainda um imenso potencial de crescimento.   Ana Mendes Godinho   Secretária de Estado do Turismo     O mesmo diz Vítor Costa. “Os benefícios do turismo para Lisboa são amplamente conhecidos. Gera riqueza, impulsiona a criação de emprego, a reabilitação urbana e melhora a oferta cultural e a autoestima dos residentes. Mais de 90% dos lisboetas apoia e tem uma opinião positiva ou muito positiva sobre o turismo, um setor que gerou 8,4 mil milhões na Região de Lisboa em 2015 e que tem crescido a dois dígitos por ano “, diz, referindo-se a um estudo encomendado pela ATL à Intercampus que conclui que 91% dos residentes na capital e 80% dos que ali trabalham acreditam que a cidade ganhou mais vida com o turismo.     Mais: “as atividades do setor contribuíram com 150 mil postos de trabalho [em 2015] e hoje, seguramente, são muitos mais”, acrescenta. O diretor-geral da ATL sublinha, assim, “o papel de Lisboa enquanto motor do crescimento do turismo em Portugal e da economia a nível nacional, permitindo a recuperação das finanças públicas, de forma muito expressiva, mas também a atração de investimentos estrangeiros a nível da tecnologia, inovação e imobiliário e, até, de estudantes”.     Já Raul Martins, presidente da AHP, justifica que “o turismo na cidade de Lisboa está a crescer a um ritmo mais acelerado comparativamente com outras cidades pois estas tiveram o seu boom turístico mais cedo, o que faz com que, agora, tenham abrandado o seu ritmo de crescimento”. O responsável defende até que “há ainda espaço para crescer”, ainda que reconheça que “ para que o turismo cresça de forma sustentada, tem de haver limites nas zonas que sofrem maior pressão turística “, além de ser necessário “controlar o volume de oferta de alojamento, para que não percamos a identidade”.     A imposição de limites deve ser realizada mediante o estabelecimento de quotas, por zona, para o número de unidades hoteleiras e/ou de alojamento local em funcionamento.   Miguel Coelho   Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior     As respostas divergentes vêm de uma das zonas da cidade onde o turismo exerce maior pressão. Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, não tem dúvidas de que “é preciso promover alterações legislativas”, a começar pela clarificação do conceito de alojamento local, para que se adeque “às diferentes realidades. Para além disso, “deve inserir-se no quadro legal o conceito de carga turística, referente à capacidade de os serviços e infraestruturas manterem padrões de qualidade; ao ponto de saturação a partir do qual os turistas procuram destinos alternativos; à tolerância da população local ao turismo sem gerar tensões relevantes”, explica o autarca socialista.     Miguel Coelho também defende limites ao turismo através da imposição de quotas, que devem ser estabelecidas “por zona” e “para o número de unidades hoteleiras e/ou de alojamento local em funcionamento”. Atingida a quota máxima definida em cada zona, caberá à câmara não emitir novos licenciamentos, advoga. “Esta gestão deve passar para as autarquias porque é o poder local que tem esta sensibilidade para perceber os problemas que afetam cada território, as necessidades das populações que o habitam e a capacidade que esse território tem para lidar com estes problemas e necessidades”, afirma.     Quotas para alojamento local em Lisboa avançam em 2018  Como se consomem os “ovos de ouro” sem matar a galinha?   Para todos, a palavra comum é “sustentabilidade”. Do lado do Governo, o objetivo é “valorizar o território, a autenticidade, o património, assumindo que o turismo deve acrescentar cada vez mais valor para as populações locais” e reconhecendo que é preciso garantir que “as infraestruturas e os transportes respondem às necessidades e à coexistência de diferentes usos”. Para isso, foi lançada, no final de 2017, a Linha de Apoio à Sustentabilidade no Turismo , destinada a financiar projetos que “promovam uma sã coexistência entre turistas e residentes”.     Os operadores do setor propõem medidas mais práticas. “Se o transporte fluvial tiver a melhoria drástica que deve ter, isso evita que haja carros a circular e Lisboa será, finalmente, a cidade das duas margens”, exemplifica Vítor Costa. A utilização de instrumentos ao dispor das entidades públicas é outra das soluções: “por exemplo, direitos de preferência que podem garantir a alocação da habitação necessária à permanência dessas populações , em condições dignas e comportáveis, assegurando que se mantém a sua identidade”.     Por Rafaela Burd Relvas, in ECO

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