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Notícias

13 August 2018

Tivoli Coimbra com áreas renovadas e modernas

O grupo Tivoli Hotels & Resorts continua a investir nas suas unidades hoteleiras de referência nacional e apresenta a renovação completa da sua unidade na zona Centro de Portugal, o Tivoli Coimbra. No coração de Portugal, localizado na encantadora paisagem medieval de Coimbra e reconhecido pelo simpático serviço e pelo conforto que tem oferecido aos seus hóspedes nos últimos 25 anos, o Tivoli Coimbra prepara-se para surpreender com a modernização dos seus quartos, suítes, salas de reunião e áreas públicas, com destaque para o novo espaço de restauração – Simone Coffee Shop.     in aveiro.co.pt

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08 August 2018

A Região não se preparou para o 'boom' no turismo e são os hotéis que estão a pagar caro pela falta de formação

O empresário hoteleiro, Fernando Neves, põe tudo em pratos limpos. Os hoteleiros açorianos estão a pagar o salário mínimo a trabalhadores indiferenciados que estão a ser formados nos hotéis. Isto porque a Região não antecipou soluções, ao nível da formação, para o 'boom' no turismo. Nos novos contratos que estão em cima da mesa em negociação, 75% dos trabalhadores com formação têm ordenados acima do salário mínimo e todos têm grande probabilidade de evoluir na carreira porque há grande falta de chefias intermédias. E se os hotéis não pagam mais é porque "têm ainda fragilidades" e têm que pensar nas flutuações dos fluxos turísticos e garantir sempre ordenados a tempo e horas.     Correio dos Açores - Tem surgido alguma polémica sobre a remuneração dos profissionais de hotelaria nos Açores…     Fernando Neves (Responsável pela Associação de Hotelaria de Portugal nos Açores)     - Efectivamente, tem havido, ao longo dos tempos, uma polémica que não é saudável porque dá uma imagem muito má do sector e porque não corresponde ao que se passa. Trabalhadores bem pagos ou mal pagos, depende muito do termo de comparação. E, no da remuneração da hotelaria, temos de ter como comparação as remunerações que se praticavam em 2009, ano em que foi aprovada a última tabela. Se compararmos os actuais níveis de remuneração com 2009, o que se verifica é que existe um aumento real das remunerações.     No sector da hotelaria a mão-de-obra disponível é relativamente exígua e a procura é bastante elevada. Por esse facto, as remunerações que estão a ser praticadas são bastante elevadas porque funciona a lei da oferta e da procura.     Se fizermos a comparação de algumas áreas e funções na hotelaria, como o caso mais flagrante que é a área da cozinha, as contas, por alto, permitem ver que há um aumento em relação a 2009 de 30 a 40%, o que é bastante mais do que o nível de inflação que se deu neste período.     O que é importante transmitir é que a imagem que se tem sido transmitida através de várias intervenções, não corresponde à realidade.     Neste momento, as remunerações poderão não ser as ideais, mas o que é facto é que as remunerações ao nível da hotelaria têm subido e têm acompanhado as maiores exigências que o sector está a ter.     Uma das críticas é que mais de 50% das remunerações na hotelaria corresponde ao salário mínimo…     Isso não corresponde à realidade. O que acontece é que, dada a exiguidade de oferta de mão-de-obra disponível e à grande procura, estáse a recorrer a alguma mão-de-obra que tem de ser formada no local de trabalho e a hotelaria está a ter algum papel de formação nesta área.     Naturalmente que, nestes casos, a produtividade é baixa e, consequentemente, a remuneração corresponderá ao ordenado mínimo.     A nível de hotelaria, todas as funções que estão a ser feitas para profissionais formados, estão acima do ordenado mínimo. Neste momento há uma tabela que está a ser negociada em que para cerca de 60 das categorias profissionais que existem no sector de hotelaria, ao nível de contratos, mais de 75% estão acima do ordenado mínimo.     Há, efectivamente, praticantes que estão a iniciar a sua carreira profissional a quem estamos a dar formação que, naturalmente, terá uma remuneração um pouco mais baixa e que estará ao nível do ordenado mínimo. Mas são apenas estes.     Critica-se também o facto de o turismo crescer, os hotéis terem mais clientes e por isso mais rendimento, mas pagarem ordenados baixos…     Não serão tão baixos como se tem querido fazer passar. Na hotelaria é fundamental ter dois sentidos bem apurados. Um é a memória, para ter presente as dificuldades sentidas nos tempos de crise e se possa aprender com essas experiências. Outro é a visão, porque precisamos de ver para além dos tempos de crescimento, para que se possam preparar os ciclos de crise e de redução de actividade que, naturalmente, se vão passar.     A hotelaria cria e tem criado muitos postos de trabalho. Os hoteleiros estão conscientes da importância de assegurar condições que dignificam os recursos humanos. Têm criado postos de trabalho e tem seguido uma política de sustentabilidade que permita continuar a assegurar esses postos de trabalho e continuar a assumir atempadamente o pagamento de remunerações. Não podemos continuar em euforias.     Estamos num tempo alto, os ordenados têm sido actualizados tanto quanto possível, mas é preciso ter uma política de sustentabilidade.     Há sectores de actividade, em que as euforias acontecem e mais tarde paga-se caro por isso.     Pode oferecer-se muito e pode-se distribuir muito. Mas, quando se sucedem as crises, as dificuldades aumentam.     O sector público pode, facilmente, recuperar da crise e aumentar os impostos. E se as coisas forem muito más, vem a Troika e nós, através dos impostos, vamos pagar mais. No sector privado, e no caso da hotelaria, temos de precaver o futuro. A hotelaria é um sector de capital intensivo, as empresas têm de estar bem capitalizadas para assegurar não só a fase inicial de construção de um hotel, com custos muito elevados, como a sua manutenção que é permanente. É preciso, com regularidade, adaptar e renovar as qualidades dos hotéis. As empresas têm de estar seguras e têm de ter capacidade para responder a esta necessidade de capital intensivo.     Esta é, paralelamente e simultaneamente, uma área de mão-de-obra intensiva, em que os recursos humanos têm um papel básico e fundamental. E temos, cada vez mais, nos Açores, alguma escassez de mão-de-obra qualificada no turismo. Não se apostou devidamente na formação.     Nas entrelinhas quer dizer que a Região não se preparou, com antecedência, para o 'boom' no turismo?     Não se preparou e, neste momento, estamos a pagar esse erro de falta de aposta na formação nos recursos humanos. Este é o grande desafio que temos de alterar rapidamente. Temos que ter a capacidade de ganhar este desafio, aumentando a formação quer em qualidade, quer em quantidade. É fundamental chamarmos para o sector mais pessoas, jovens, pessoas que estejam desempregadas em sectores onde haja desemprego e que têm aqui, no turismo e na hotelaria, um sector que cria postos e trabalho e assegura o seu futuro.     Nos Açores, na sequência do desenvolvimento a que se tem assistido, a falta de mão-deobra no turismo é flagrante. Não se investiu e continua a não se investir, de forma atempada, ao nível de formação e estamos a pagar esse erro. E a alteração desta situação é fundamental para consolidar a nossa oferta. O turismo temse vindo a confirmar como o grande motor do desenvolvimento económico e a alternativa para construir um futuro melhor para todos os açorianos.     É fundamental atrair jovens para o turismo para que seja alternativa a outros sectores. É por isso que esta polémica das remunerações não é benéfica, porque não corresponde à realidade e dá uma imagem incorrecta do que é o turismo e do que são as carreiras no turismo.     Este é um sector onde a taxa de empregabilidade é muito elevada e a mão-deobra formada é rapidamente absorvida, com oportunidade de uma rápida progressão. A hotelaria e o turismo dão a possibilidade a quem entra no sector, de alguma regularidade, ter uma progressão na carreira, e o crescimento está facilitado. Há muitos postos intermédios a preencher, de chefias, de responsabilidade e o sector está a oferecer isso: um emprego estável, com qualidade, com diferenciação.     O turismo, e no caso a hotelaria, é uma actividade de pessoas para pessoas. Por isso é que é o turismo é conhecido como a indústria da paz, onde os recursos humanos têm um papel fundamental. Quem está no turismo pode evoluir, ter experiências, conhecer outras culturas que nos visitam. É uma profissão atractiva, em desenvolvimento e que tem todas as condições para que possa oferecer boas condições.     Apesar do que afirma, continua a haver algumas dificuldades nas negociações entre a Câmara do Comércio e o Sindicato da Hotelaria. Acredita que se vai chegar a um consenso?     Este consenso é fundamental para bem do sector. Uma negociação tem duas partes, é uma balança que tem de estar equilibrada, tem de haver cedências e conquistas de ambas as partes e é no diálogo que isso se consegue.     Tem, eventualmente, faltado algum diálogo e quando isso não é concretizável, a responsabilidade não é só de uma das partes. Mas é fundamental que se chegue a um consenso e o acordo seja algo que apoie a consolidação e valorização de um sector que é fundamental na economia regional.     O rendimento por quarto nos Açores é o mais baixo de todas as regiões portuguesas     Como tem evoluído a rentabilidade do sector hoteleiro nos Açores?     A estrutura dos hotéis nos Açores é muito frágil. Os hoteleiros passaram uma crise acentuada que fragilizou muitas as empresas. Essa fragilidade é notória em alguma descapitalização destas empresas num sector de capital intensivo que não permitiu que os hotéis pudessem modernizar-se e remodelar as suas instalações.     Chegámos a um período (2014/2015) em que as empresas estavam descapitalizadas, não estavam modernizadas. E isto numa altura em que aumentava a necessidade de adaptação aos novos tempos.     A hotelaria de há 10 anos não tem nada a ver com a hotelaria de hoje em dia. Há 10 ou 15 anos a hotelaria era um serviço de alojamento. Havia camas que as pessoas ocupavam e serviam-se os pequenos-almoços. Naquela altura bastava isso.     Hoje, a hotelaria é uma actividade muito complexa. A hotelaria e a aviação são sectores que estão com maior pressão. Pressão de inovação, de diferenciação, de criação de novos serviços.     É visível, nomeadamente ao nível da aviação, o que se passava há alguns anos e o que se passa hoje em dia. Isso permitiu o "boom" do turismo a nível internacional, a facilidade de acessibilidades.     Com inovação e diferenciação, porque as empresas de aviação são de maior dimensão e mais capitalizadas, o sector deu uma boa resposta.     Face a esta inovação, diferenciação e à oferta de experiências que caracteriza o turismo de hoje em dia, a tarefa da hotelaria nos Açores tem sido dificultada.     Existem hoje mecanismos de gestão hoteleira muito mais apurados que tem em conta a rentabilidade de um hotel, a política de preços adaptada à disponibilidade e à procura. Pode haver uma política de preços dinâmica que varia de acordo com a oferta e a adopção desta política tem sido um pouco dificultada pela fragilidade em que o sector hoteleiro açoriano se apresentou no início do 'boom' do turismo.     Isso faz com que a rentabilidade não tenha sido aproveitada na totalidade. Ainda o ano passado foi publicado um estudo que dizia que os hoteleiros nos Açores não tinham sido capazes de tirar partido do crescimento do turismo e que os preços e rentabilidade eram baixos. As conclusões deste estudo confirmam-se.     Nos Açores temos os RevPar [indicador mais preciso de rentabilidade de um hotel – de quartos disponíveis] mais baixos a nível nacional e não se tem acompanhado o crescimento do RevPar de outras regiões portuguesas.     Continuamos a ter, nas épocas baixas, nos Açores, o valor de venda dos quartos na ordem dos 13 a 14 euros. Por exemplo, em Janeiro de 2018 tivemos um RevPar de 14 euros ao nível da Região, e em Fevereiro de 17 euros, o que não é rentável.     Por exemplo, o RevPar em 2008 correspondia a 74% do RevPar nacional e em 2017 tivemos um RevPar que foi 67% do RevPar nacional. Ou seja, afastámo-nos da média nacional. O nosso RevPar [indicador mais preciso de rentabilidade de um hotel – revenue de quartos está a cerca de metade do RevPar de Lisboa. Isso acontece porquê?     Os hotéis nos Açores e o turismo nos Açores estão muito dependentes da tour/operação. Normalmente, os contactos com a tour/operação são feitos com bastante antecedência e o que se passa é que os preços que são praticados hoje são fruto de uma negociação que ocorreu há vários meses. Isso teve alguma influência no RevPar porque, em 2015, quando começou este 'boom', não havia contratos, não havia muita capacidade para negociação de preços e os preços foram baixos. Depois, porque não temos conseguido essa capacidade de acompanhar os preços que se praticam noutras regiões.     A estrutura hoteleira nos Açores é constituída por pequenas unidades hoteleiras que não pertencem a grandes cadeias de hotéis. Muitas vezes, são hotéis de pequena dimensão, com algumas fragilidades estruturais, que não dão a capacidade suficiente para implementar novos sistemas de gestão, corresponder aos novos canais de distribuição, como a venda directa, que requer recursos e grande preparação a nível de internet.     Se as unidades hoteleiras dos Açores estivessem mais capitalizadas com estruturas mais sólidas, estariam a ganhar mais por quarto?     Estaria a Região a ganhar mais e a rentabilidade seria maior. Para que possamos continuar a ter um turismo forte, dar sustentabilidade e consolidar a nossa oferta turística, é fundamental consolidar e dar estrutura aos nossos hotéis.     Como é que isso se faz?     Se calhar, tem de haver sistemas de apoio aos hotéis, criar meios para apoiar na sua capitalização, dar mais formação e tornar mais rentáveis os recursos humanos, e apoiar a criação de sistemas de gestão mais actuais a nível de hotel.     A formação dos recursos humanos tem de ser a todos os níveis. Até ao nível da gestão hoteleira é fundamental que também haja alguma formação.     A responsabilidade da formação é, essencialmente, do sector público. E os hoteleiros têm de tomar, também, consciência da importância do investimento na formação e isso está a acontecer. Estamos a dar formação a trabalhadores indiferenciados que temos necessidade de admitir além da formação contínua dos nossos trabalhadores. Essa consciência tem de ser cada vez maior da parte de todos os intervenientes.     Fixámo-nos na declaração que fez de que a rentabilidade por quarto é a mais baixa do país e que não está a ser fácil inverter esta tendência por a estrutura hoteleira açoriana ser frágil. Deixou claro que formação no turismo tem de chegar à gestão hoteleira. E somos levados a esta questão: Estamos a vender o paraíso por "tuta e meia"?     Há falta de meios. Não podemos dar por adquirido aquilo que não existe e não temos.     Estamos a ser, na Região, muito reactivos.     Estamos a responder a problemas que nos vão surgindo e temos de ser mais pró-activos a vários níveis.     Tivemos problemas ao nível de muitas estruturas públicas de apoio ao turismo, como miradouros. Tivemos problemas ao longo de vários anos, a este nível, e espero que as soluções que estão a ser encontradas, o sejam de forma próactiva já pensando no crescimento que vamos ter. E em várias estruturas temos de ser mais pró-activos e ter mais visão. Penso que temos de ter mais atenção à visão do que vai ser o futuro do turismo nos Açores e prepararmo-nos melhor para isso.   in Correio dos Açores

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06 August 2018

Queda do mercado britânico preocupa Algarve e Madeira

O crescimento do Turismo nacional tem sido animador e, em Maio, voltou a ser positivo, com aumentos globais de 3,5% no número de turistas, mas também de 9,5% nos proveitos, de acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Os números são positivos e mostram a pujança que o sector turístico nacional tem vindo a apresentar.     No entanto, nem tudo é cor-de-rosa e há mesmo algumas nuvens cinzentas a acumularem-se por culpa do Reino Unido, o principal mercado emissor de turistas para Portugal, que assume uma importância ainda maior no Algarve e na Madeira, as regiões portuguesas que, por norma, acolhem o maior número de turistas britânicos.     É que, até Maio, o mercado britânico desceu 6,1% em hóspedes e 7,4% em dormidas, uma tendência preocupante, que fez já soar as campainhas das autoridades turísticas nacionais. "Claro que o mercado inglês nos preocupa, porque é um dos nossos principais mercados", disse recentemente aos jornalistas Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, quando confrontada com as descidas do Reino Unido.     A dimensão das quebras começa a ser preocupante, tanto que o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado do Turismo lançaram, em Junho, um plano de combate à sazonalidade para Algarve e Madeira, iniciativa que, como explicaria Ana Mendes Godinho, é dirigida à época baixa e funciona como "uma campanha de marketing muito táctica", com o duplo objectivo de reforçar a presença de Portugal no Reino Unido, assim como noutros mercados emissores, naquilo a que a governante chama de "diversificação de mercados" e que tem sido uma das apostas para colmatar quebras em mercados tradicionais, como o britânico. Mas muito mais terá que ser feito se Portugal quiser voltar aos números de outros tempos.     IMPACTO     A descida do mercado britânico vem-se sentindo desde Outubro de 2017 e pode ser explicada por uma série de factores, com o Brexit à cabeça, mas também a desvalorização da libra face ao euro, que tem puxado para cima os preços nacionais, levando os britânicos a optarem por destinos mais económicos, como a Tunísia, Turquia e Egipto, agora já sem grandes problemas de segurança. Depois, é preciso ter em conta a falência de companhias como a Monarch, Niki ou airberlin, que traziam milhares de turistas britânicos e cuja capacidade ainda não foi reposta, mas também o clima, este Verão pouco convidativo a banhos de praia. "As razões que justificaram os aumentos da procura ao longo dos anos anteriores, explicam também as descidas que agora se verificam", resume Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), e uma das vozes mais críticas.     O presidente da AHETA denuncia os "momentos de enorme preocupação" que os empresários e hoteleiros do Algarve vivem, até porque, "em 2017, os britânicos já haviam descido" 8,5% nos hotéis algarvios, o que, segundo o responsável, representou menos "82 mil turistas e 450 mil dormidas".     Este ano, as quebras continuam, atingindo os 9,2% "até ao final do mês de Junho", com Elidérico Viegas a estimar que esta quebra possa "ultrapassar os 10% no final do ano, mais ou menos 120 mil turistas e 700 mil dormidas".     Na Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) existe igualmente "alguma preocupação", até porque, refere Cristina Siza Vieira, directora executiva da associação, "estamos a falar do principal mercado no Algarve, e do segundo na Madeira". Para a responsável, é "determinante" repor as rotas que desapareceram, até porque "a diminuição da oferta leva a que os preços dos bilhetes de avião aumentem e, com a desvalorização da libra face ao euro, essa situação ainda se agrava mais".     Dora Coelho, directora executiva da Associação de Turismo do Algarve (ATA), compreende as queixas e diz que "os actuais números sao preocupantes para todos", motivo pelo qual considera que "o Algarve tem de saber reagir atempadamente de forma a contrariar esta tendência", ideia também defendida por Roberto Santa Clara, presidente da Associação de Promoção da Madeira (AP- Madeira). "Sendo o maior mercado emissor para a Madeira - dados de 2017, em hóspedes e dormidas -, naturalmente que tem um impacto directo na performance do destino e, por essa razão, requer um acompanhamento quase diário", explica, defendendo ainda que "é vital ir percebendo os sinais do mercado e potenciar as oportunidades de negócio".     PROMOÇÃO PRECISA-SE     "Manda o bom senso e, já agora a técnica, que quando se vende menos se deve promover mais", diz o presidente da AHETA e parece ter razão, já que também Roberto Santa Clara defende que, "em 2019, é vital reforçar a promoção de Portugal, e no caso da Madeira em particular". O responsável madeirense sublinha que "não podemos baixar os braços e apenas usar os números do Turismo como uma bandeira que alavanca a economia", mostrando-se confiante quanto ao "novo período de contratualização entre as regiões e o Turismo de Portugal", que está à porta e para o qual diz ter "natural expectativa" de "boas notícias".     Mas Elidérico Viegas vai mais longe e defende que é necessário mudar também o âmbito da promoção, que deverá ser "inteligente e desenvolvida em parceria com o sector privado", uma vez que, sublinha, "concentrar meios financeiros nos operadores tradicionais não parece a estratégia correcta e mais adequada no actual quadro concorrencial", pois estes "operadores estão mais focados no regresso aos destinos onde têm grandes investimentos e que apresentam preços imbatíveis, encontrando-se pouco receptivos aos destinos de proximidade, considerados alternativos e pouco rentáveis", considera. Para o responsável, "as estratégias promocionais não podem centrar-se nos apoios à operação, mas antes no 'independent Traveller', canais online, comercialização directa e transporte aéreo", pois no Algarve a maioria das vendas já é "assegurada através da comercialização directa online".     Dora Coelho concorda com a necessidade de incrementar a promoção e diz que, por isso, a ATA está a trabalhar num "projecto suplementar de promoção do Algarve", com "acções especificas para fomentar o crescimento turístico durante os meses de Inverno", com o qual espera "recuperar o vazio deixado pela insolvência das companhias aéreas".     Na Madeira, a prioridade é semelhante, já que também Roberto Santa Clara diz que o destino tem vindo a trabalhar em "prol da recuperação da oferta de transporte aéreo", "felizmente" já com bons sinais a aparecer, como confirmaram as "as recentes notícias de aumento de capacidade da British Airways e da Jet 2", bem como sobre a "reintrodução de duas ligações semanais da Thomas Cook UK e o ligeiro aumento de capacidade da TUI UK para o W18/19".     A campanha lançada pelo Turismo de Portugal e Secretaria de Estado do Turismo para a época baixa é, de forma geral, encarada como positiva, até porque, sublinha Dora Coelho, mostra que as autoridades continuam "a ter uma atenção e sensibilidade adequadas para avaliar as especificidades de cada região".     Já Cristina Siza Vieira diz que "todas as iniciativas que visem aumentar da taxa de ocupação entre os meses de Outubro e Março, bem como a estada média, são bem-vindas", mas entende que é necessária também "uma reflexão de fundo sobre o posicionamento do Algarve" e aponta o "investimento nas infraestruturas hoteleiras" como prioridade, lembrando que o "Algarve foi excluído das linhas do Portugal 2020, pelo que as condições de acesso ao crédito são bem mais gravosas, e é natural e imprescindível fazer um 'refrescamento' da oferta".     EXPECTATIVAS     Ana Mendes Godinho não se cansa de falar na diversificação de mercados como forma de compensar as descidas dos tradicionais e, para Elidérico Viegas, esta é uma aposta correcta, já que "os mercados com pouca expressão nas dormidas totais - França, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Polónia, Canadá, Itália e Suíça - vêm mostrando comportamentos que surpreendem pela positiva, todos registam subidas muito interessantes", motivo que leva o responsável a afirmar que "tem lógica e faz sentido o desenvolvimento de acções promocionais direccionadas para estes mercados, tendo em vista consolidar estes aumentos".     Ainda assim, o responsável está apreensivo e considera que, apesar da subida dos preços, que tem permitido o crescimento dos proveitos, se as "descidas na procura" se mantiverem, "os proveitos totais e, sobretudo, os resultados empresariais só podem diminuir", diz, alertando que as perspectivas não são de crescimento nos próximos anos".     Dora Coelho mostra-se mais confiante e acredita que o projecto que a ATA está a desenvolver vai contribuir para "tornar o Algarve numa fonte de atracção de novos públicos durante todo o ano e num destino competitivo capaz de fidelizar clientes e de voltar a conquistar os mercados que têm vindo a decrescer", afirmando que "a expectativa é que a região consiga recuperar ou até mesmo ultrapassar os números obtidos no ano transacto". No entanto, a responsável alerta que "esta perspectiva não será, à partida, concretizável já neste Verão, mas possivelmente até ao final do ano".     Na Madeira, Roberto Santa Clara diz que a região tem vindo também a trabalhar "na consolidação de mercados importantes, como o holandês e o francês", além dos EUA e Brasil, que "têm um elevado potencial de crescimento". Em relação ao mercado britânico, o responsável espera que "exista um reajuste da procura e que, em 2019, se assista a uma efectiva recuperação", caso não se verifiquem alterações no mercado.     Mais reticente está a AHP, que invoca um inquérito realizado junto dos seus associados, segundo o qual o mercado britânico deverá cair para 32% dos inquiridos do Algarve e para 59% dos inquiridos na Madeira. "Por isso, não sabemos se iremos atingir os números de outros anos, mas sabemos que há uma aposta grande em mercados como o americano, o brasileiro ou o chinês e que o número de turistas provenientes desses países tem aumentado", conclui a responsável.     Procura britânica na easyJet continua em alta     Apesar da descida do número de turistas britânicos em Portugal, a easyJet continua a ter os seus voos cheios, com José Lopes, director da easy- Jet em Portugal, a afirmar que a low cost britânica está "a crescer no mercado britânico para Portugal, nos quatro aeroportos".     "Não sentimos nenhum retrocesso, antes pelo contrário, Portugal continua a ser um destino com boa apetência, aliás, se não fosse, não estaríamos agora a abrir, para o Inverno, que não é a altura mais forte em termos de aviação, mais uma rota do Reino Unido para Faro, a Faro-Manchester", disse o responsável, durante o Farnborough International Airshow 2018.     José Lopes diz não acreditar que "o Turismo britânico vá deixar de escolher Portugal como um dos principais destinos de férias", apesar de compreender as queixas da hotelaria. "A hotelaria queixa-se que há menos britânicos porque houve uma companhia importante a ir à falência [Monarch]. Aquilo que nós temos sentido é que, nas nossas rotas, nomeadamente para Faro e Funchal - onde essa companhia operava com mais força -, continuamos a ver o tráfego a crescer. Portanto, não vemos nenhuma retracção, pelo contrário, o mercado britânico tem continuado a subir", explicou.     Ainda assim, José Lopes acredita que o mercado "levará algum tempo a ajustar-se", uma vez que muitas das rotas da Monarch "não eram rentáveis" e "as companhias que ficam não vão operar rotas se não forem rentáveis. Por isso, poderá levar algum tempo, mas o mercado ajustar-se-á", acrescentou.   in Publituris, por Inês de Matos

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24 July 2018

A Hotelaria ao serviço da comunidade

O Programa HOSPES já doou 48 mil bens a 44 instituições em cinco anos.     A cerimónia de entrega dos selos We Care e We Share aconteceu no mês pasado.     O QUE COMEÇOU como uma iniciativa comemorativa e escalou, quase de imediato, para um programa de responsabilidade social, tal foi a procura e resposta por parte de instituições e hotéis. Foi desta forma que nasceu o Programa HOSPES - Programa Corporativo de Responsabilidade Social e Sustentabilidade Ambiental, desenvolvido pela AHP e que em cinco anos já doou 48 mil bens a 44 instituições, num valor a rondar os 800 mil euros. O custo de substituição destes bens por novos está estimado em cerca de 3,2 milhões de euros.     Cristina Siza Vieira, directora executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, refere que esta questão dos cincos anos é muito "simbólica" e explica a génese do programa: "Temos raízes de há cem anos, cem anos de espírito de associativo e não da associação, e quando pensámos nisto foi num projecto simbólico, com a ideia de associar os hotéis a esta comemoração e àquilo que é uma actividade corrente, que são as renovações periódicas dos equipamentos e bens dos hotéis e doá-los." O País estava em crise e a iniciativa fazia todo o sentido. Foi pensada em 2012 e lançada em 2013. O primeiro ano foi, desde logo. "simpático, houve alguns hotéis que se envolveram e doaram, através da AHP, 808 bens a quatro instituições", conta Cristina Siza Vieira, revelando que as doações começaram por ser colchões (aliás, o mote da primeira campanha) e, "depois, veio o resto": camas, roupa de cama, cutelaria, mobiliário diverso, equipamentos electrónicos. "Em 2014, isto começou a ganhar outra escala e ritmo e percebemos que não era só um projecto, que faz sentido em contínuo. Não é só uma questão de crise económica, aliás, as doações têm crescido muito mais fora desse contexto, e, em 2015, o projecto ganhou o impulso de ser apadrinhado pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, que enalteceu o trabalho em rede e em conjunto", diz a responsável.     Cristina Siza Vieira resume precisamente este trabalho em rede: "Os hotéis sinalizam que vão disponibilizar bens e equipamentos de variada índole e que estão disponíveis para os doar, em vez da retoma e reciclagem ou revenda dos mesmos. Nós, neste momento, temos protocoladas 44 associações, já não são só IPSS, e cruzamos as necessidades. O estar em rede permitiu chegar onde é mais necessário.     Por exemplo, que bens de Vila Real de Santo António chegassem aos Bombeiros de Viseu ou que fossem doados milhares de bens a Castanheira de Pera."     O ano passado bateu o recorde de doações e levou a que a associação convertesse o nome do projecto para Programa HOSPES e na existência de dois selos: We Care e We Share, que representam o reconhecimento de que os hotéis trabalham nesta rede, com a distinção entre a componente ambiental e a social.     A AHP acredita no crescimento deste programa, tendo em conta o parque hoteleiro português e o potencial existente, e destaca, ainda, o impacto económico do HOSPES, quer através da economia circular e consequentes mais-valias ambientais, quer através do investimento em novos bens por parte da hotelaria.     No que concerne a preocupação ambiental, a AHP desenvolveu, também, o Prémio Electrão by AHP, que, em parceria com a AMB3E - Associação Portuguesa de Gestão de Resíduos, visa recolher, para tratamento e valorização, resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) e resíduos de pilhas e acumuladores (RPA). Por cada tonelada de equipamento recolhido, a AMB3E doa 100 euros a uma instituição de solidariedade social assinalada pela associação. Entre Abril a Dezembro de 2017, foram entregues por 19 dos hotéis aderentes ao projecto (até à data 60 aderentes), perto de seis mil quilos em equipamentos e entregues 600 euros ao Instituto da Imaculada para Pessoas com Necessidades Especiais.     Instituições     A lista de instituições apoiadas pelo HOSPES, actualmente, chega às 44 entidades, algumas das quais ligadas ao Governo, através dos seus ministérios, como é o caso do IPO – Instiuto Português de Oncologia e da Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais. O impacto no dia-a-dia destas entidades é inegável, facilitando as mesmas a possibilitar uma vida condigna aos seus beneficiários.     Rogério Rodrigo Canhões, director do Centro Educativo Navarro de Paiva, da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, começa por dizer que o protocolo com a AHP foi celebrado em Abril de 2016, "porém, desde finais de 2015 que começámos a receber bens". "Os primeiros eram provenientes do antigo Hotel Altis das Olaias e do Hotel Açores Lisboa."     Até hoje, este centro educativo já recebeu "imensos e diversos" bens, desde cadeiras e camas, a roupa de cama de cama, televisões e candeeiros, entre outros.     Segundo Rogério Rodrigo Canhões, "o impacto inicial [do programa] foi enorme, pois conseguimos equipar as salas de estar de uma das unidades residenciais com os sofás, colocar cortinados coloridos em salas e outros locais até aí menos interessantes e, assim, dignificar os espaços vividos no dia-a-dia pelos jovens em internamento". Uma situação que se repetiu "noutros Centros Educativos do País e em alguns dos Estabelecimentos Prisionais, funcionando como forma de fazer face à ausência de alguns dos bens e melhorando a qualidade do já existente, contribuindo para uma situação de bem-estar, algo tão importante nestas instituições".  Já a União das Misericórdias Portuguesas associou-se ao programa desde o início, em 2013, e "os bens até agora recebidos vão desde mobiliário a material têxtil, tudo o que diz respeito a bens de hotéis", resume Natália Gaspar, responsável da Turicórdia, segundo a qual o HOSPES é de um impacto "enorme porque as instituições de economia social, como as Misericórdias, vivem no limite da sustentabilidade para cooperar com as políticas sociais do Estado. Ora estes bens são apoios importantes para essa sustentabilidade. Cada cêntimo que podemos poupar neste tipo de bens é um cêntimo a mais para ajudar mais pessoas".     A CRESCER também integra a lista intermediada pela AHP desde 2013, com o projecto É UMA CASA- Lisboa Housing First e o projecto É UMA VIDA, este desde 2016.     O projeto É UMA CASA-Lisboa Housing First pretende contribuir para a erradicação das situações crónicas de sem abrigo da cidade de Lisboa, enquanto o projecto É UMA VIDA apoia os requerentes de asilo que chegam a Lisboa ao abrigo do PMAR LX (programa europeu de recolocação). O âmbito destes projectos pressupõe "alugar habitações no mercado de arrendamento livre e mobilá-las de forma digna" e é aqui que entram os bens doados pelos hotéis, que a CRESCER considera "essenciais". "As doações são sempre de bens de excelente qualidade e em excelentes condições", frisa Rita Pereira Marques, psicóloga clínica da associação.     Já o IPO Lisboa integra os HOSPES desde 2017, refere Paula Rodrigues, responsável pela gestão hoteleira: "Apesar do pouco tempo de colaboração, o impacto foi muito positivo. Os sofás e as mesas de cabeceira que recebemos permitiram melhorar as condições de conforto dos doentes e familiares que ficam alojados no Lar de Doentes do IPO", que oferece alojamento e alimentação "a doentes mais desfavorecidos que residam fora de Lisboa e necessitam de fazer tratamentos prolongados". O lar tem quatro pisos, 54 quartos, 114 camas e, em 2017, alojou 625 doentes (157 dos quais com acompanhante), o correspondente a 23.385 diárias.     "Consideramos extremamente importante a existência deste tipo de programas e do Programa HOSPES em concreto, na medida em que, além de fomentar a responsabilidade social do sector empresarial, tem também uma vertente de sustentabilidade ambiental, contribuído para que as empresas se assumam como parceiras de entidades do sector público e social que prestam serviços relevantes à população, designadamente na área da saúde e solidariedade social, através da redistribuição de recursos muitas vezes difíceis de obter devido a constrangimentos de carácter orçamental", diz Paula Rodrigues, manifestando a vontade do IPO em "voltar a beneficiar" do programa.     Os hotéis     Eric Viale, area general manager do IHG para Portugal, justifica a associação ao HOSPES com o facto de que "a sustentabilidade e a responsabilidade social integram as nossas políticas de gestão e, por isso, as preocupações sociais e ambientais têm uma elevada influência nos processos de decisão. É uma forma de gestão estratégica e um compromisso permanente por parte da IHG e dos hotéis InterContinental Lisbon e InterContinental Estoril".     "Aderir ao Programa HOSPES é ver reforçado este nosso compromisso social e ambiental, por via da promoção organizada das nossas boas práticas", adianta Eric Viale, explicando que, "primeiramente, o InterContinental Lisbon integra o projecto de responsabilidade social 'We Share', que desenvolve inúmeras campanhas com o objectivo de ajudar diferentes entidades na cidade e no País".     Razão pela qual as doações acabam por ser bastante distintas. Anteriormente, os hotéis InterContinental Lisbon e InterContinental Estoril "optavam por vender ou doar os bens, sendo que a maioria dos mesmos seguia este segundo caminho".     José Seabra Marto, do Hotel Marquês de Pombal e Hotel Roma, acredita que este programa "permitiu a ambas as unidades contactar com instituições que realmente necessitam dos artigos que nos dispomos a ceder". "Através da articulação com a AHP consegue-se criar maior relevância na redistribuição desses mesmos bens e participar com maior impacto na satisfação das organizações que acolhem os produtos", diz o administrador, para quem "há muitos produtos e bens em unidades hoteleiras que representam custos de armazenamento, transporte e tratamento quando são repostos. Estes artigos, com inequívoca qualidade e perenes no tempo, acrescentam valor a associações e organizações pela utilização subjacente e derivado do facto de terem uma vida útil alargada para além dos fins comerciais da hotelaria".     Por sua vez, Maria Júlia Valente-Rodrigues, administradora dos hotéis Altis, revela que o grupo se associou à AHP desde o primeiro momento, "no programa 'Um Colchão, um Coração', portanto aderir ao Hospes foi um passo natural". "Temos plena Confiança na marca AHP e desde sempre assumirmos um compromisso de responsabilidade social e ambiental nos hotéis Altis", salienta a responsável.     Todo o material doado é sujeito a uma "criteriosa" avaliação, sendo, depois, "quantificados, fotografados e a informação é enviada para a AHP que estar em contacto com as associações".     "A responsabilidade social e ambiental está no ADN da nossa empresa desde o seu início e é com grande gosto que nos associamos à AHP, de forma a fortalecer estes princípios e criar condições de fazer chegar estes apoios a quem mais necessita, a nível nacional, numa distribuição mais rápida e equitativa", conclui.   in Publituris Hotelaria, por Patrícia Afonso

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