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19 February 2018
Salários médios sobem no turismo, mas ainda não vão além dos 632 euros
Desde 2014 que o turismo em Portugal bate recordes, mas os salários contabilizados pelo gabinete de estatísticas nacional parecem não acompanhar este ritmo de crescimento. No ano passado, o salário médio líquido pago pelas “atividades de alojamento, restauração e similares” não foi além dos 632 euros. São mais 41 euros do que em 2014 quando a atividade voltou a crescer, e apenas mais 45 que em 2011, em pleno ano de entrada da troika em Portugal. Em comparação, no ano passado, o país recebeu quase 21 milhões de turistas, com o setor a valer 7% da economia nacional em 2016, segundo a Conta Satélite de dezembro, com as receitas a atingir 12,6 mil milhões de euros (o dobro do valor de há dez anos). Só no último ano, o Turismo cresceu mais 9% em hóspedes e 19% em receitas. Pouco qualificado e com forte rotatividade de empregos, o setor não se autopromove como o melhor pagador, mas também não se revê nos números, e aponta falhas ao gabinete de estatísticas. “Se juntarmos à hotelaria e à restauração agências de viagens, companhias aéreas, aeroportos, operadores, campos de golfe, resorts… isto sobe”, alerta Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) ao DN/Dinheiro Vivo, que chama a atenção para a subvalorização da indústria turística. “Queremos que as CAE [classificações de atividades económicas] sejam muito mais expressivas, até pelo peso que a conferação representa.” Não é só. O patrão do turismo alerta para uma configuração remuneratória pouco convencional, que as estatísticas não refletem. “Muitos trabalhos têm um ordenado de mil, 1500 euros que equivale 80% a 90% do seu rendimento base. No turismo não é nada disto. O ordenado-base, e é este que conta para as estatísticas, não tem nada que ver com o ordenado total”, detalha, adiantando que a grande maioria das empresas que compõem esta indústria apresentam “uma atividade 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano”, o que levou à criação de “subsídios de noite, subsídios de sábado e domingo, de línguas ou de caixa”. A estes bónus acrescem ainda, por contratação coletiva, a alimentação que no caso da hotelaria é toda paga pelo empregador, do pequeno-almoço ao jantar. E quem não dá alimentação paga-a. O referencial que estamos a ter de comparativo está errado”, diz Calheiros. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) não tem números sobre o andamento dos salários em 2017. Mas um último levantamento de 2016 apontava para “salários médios de 1035 euros, excluindo subsídios, designadamente de alimentação, e prémios sem carácter certo e permanente”. Esta remuneração, adiantou a associação, foi paga durante 14 meses. Nesse ano, o INE apontava para vencimentos médios líquidos de 614 euros nas “atividades de alojamento, restauração e similares”, a única contabilização que existe. “O turismo, maior setor económico nacional, enquadra diversos subsetores, desde a hotelaria à restauração, e outras formas de alojamento, empresas de animação, organização de congressos, agências de viagens, etc.”, reforça a associação, deixando um apelo à afinação da estatística. “Quando se fala em ‘salários no alojamento e na restauração’ haveria que distinguir um e outro setor, e dentro do alojamento, a hotelaria. Os níveis salariais dos trabalhadores não são os mesmos, nem as suas funções ou formação”. Com a indústria a braços com uma falta de pessoal nunca antes vista – e previsões de que sejam precisos 40 mil trabalhadores em 2018, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte diz que a falta tem que ver com o emprego oferecido. “O problema são os salários baixos, más condições de trabalho, horários de trabalho, não pagamento de feriados, ritmos de trabalho, trabalho ilegal e clandestino, fumo do tabaco durante todo o período do trabalho”, disse recentemente ao Publituris. As contas deste sindicato ilibam os hotéis, mas confirmam a precariedade da restauração onde “80% dos trabalhadores recebem o salário mínimo”. Na sua leitura composta, os organismos oficiais diziam que, em abril, 39% do setor do alojamento e restauração levava a remuneração mínima para casa. in Dinheiro Vivo, por Ana Margarida Pinheiro
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16 February 2018
Francisco Calheiros vai recandidatar-se à presidência da CTP
Francisco Calheiros vai recandidatar-se à presidência da Confederação do Turismo Português (CTP) para o triénio 2018-2021. Em entrevista ao Publituris, que pode ser lida na edição em distribuição na BTL, a 28 de Fevereiro, o actual presidente da CTP explica que a decisão acontece depois de falar com “várias pessoas envolvidas, nomeadamente, com o presidente da Assembleia-Geral, o presidente do Conselho Fiscal e as principais associadas”. Segundo Francisco Calheiros, que se encontra a cumprir o segundo mandato, esta é uma lista de “continuidade”. “Na presidência da Assembleia-Geral mantém-se o grupo Pestana e na do Conselho Fiscal o Grupo Vila Galé. Eu estou pela APAVT, e estão a AHRESP, a AHP, a AHETA, a APHORT e a Associação Portuguesa de Casinos. Ou seja, 99% dos órgãos sociais mantêm-se”, refere. Recorde-se que Francisco Calheiros foi reeleito presidente da CTP para o triénio 2015-2018 com 91,4% dos votos. As próximas eleições da CTP realizam-se em Março. in Publituris, por Carina Monteiro
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14 February 2018
Artigo de Opinião: É necessário aumentar a estada média
Publituris | 50 Ideias para o Turismo Em vésperas do fecho do ano mais bem sucedido da história do Turismo português, saímos com forças redobradas para atacar um dos mais antigos cavalos de batalha da hotelaria nacional – a estada média. O aumento da oferta hoteleira e a proliferação de formas alternativas de alojamento em nada têm toldado a performance da operação, que registou os valores mais altos de sempre1 ao nível de preço (89€), ocupação (71%) e, consequentemente, RevPAR (63€). O ciclo é, sem dúvida, ascendente e seria seguro dizer que a procura não dará sinais de abrandar nos anos vindouros – não fossem os constrangimentos ao nível da capacidade aeroportuária de Lisboa. A verdade é que o crescimento exponencial do Turismo, verdadeiro motor da recuperação económica no pós-crise, não poderá continuar até à construção do terminal do Montijo. Então, o que fazer? Nos últimos anos temos ouvido falar muito em qualificar a oferta, e temo-lo feito com inegável sucesso. No entanto, é chegada a hora de qualificar a procura, descentralizando o fluxo turístico e alongando a sua permanência no território nacional. Passo a explicar: de acordo com o INE, a estada média na hotelaria nacional, de 2,8 noites2, continua aquém da de concorrentes como a vizinha Espanha, que ultrapassa as 3,3 – uma questão que impede a otimização da ocupação e da rentabilidade. A AHP há muito que defende uma estratégia de promoção integrada, assente na diversidade do destino Portugal como um todo – em que as especificidades de cada região são argumentos que servem a heterogeneidade ao invés da atomização. Nesse sentido, e em articulação com os organismos competentes, a hotelaria pode desempenhar um papel chave, constituindo uma rede integrada de hospitalidade, que convide à mobilidade do crescente número de hóspedes, multiplicando dormidas e proveitos. Os efeitos multiplicadores são muitíssimos: Se, por um lado, conseguimos esbater a concentração da procura nos destinos mais maduros e de estada longa, como Algarve e Madeira, por outro conseguimos transformar Lisboa ou Porto – cidades com muitos hóspedes mas poucas dormidas – em “âncoras” que canalizem a procura para destinos complementares e tradicionalmente menos explorados, aumentando a estada não na região mas no país. É sabido, também, que uma estada mais longa é sinónimo de maiores gastos no destino, não só em alojamento mas em todas as atividades complementares, como sejam o comércio, restauração e transportes – investimento que as regiões menos turísticas do país de muito carecem. Somos, de resto, o país ideal para aplicar este modelo: A espantosa diversidade que a nossa reduzida dimensão comporta, aliada à completíssima rede rodoviária que nos serve, permite facilmente capitalizar sobre o esforço de captação de turistas, que a promoção dos últimos anos tão bem cumpriu, aumentando o retorno sobre o custo de aquisição. A nossa oferta hoteleira é cada vez mais dinâmica e competitiva, com uma relação preço/qualidade dificilmente igualada noutros destinos europeus, e com unidades de altíssima qualidade que muito bem nos representam. Temos hoje ferramentas e know-how cada vez mais sofisticados, que permitem comunicar com os nossos hóspedes de forma eficaz, e iniciativas como o Stop-Over da TAP bem o demonstram. Em suma, por cada noite adicional na estadia, garante-se um dia a mais de investimento no país, que terá tanto mais peso quanto menos maduro for o destino. A AHP tem as ferramentas, a disponibilidade e a vontade necessárias para ajudar a uma promoção para prolongar as estadias, em colaboração com o Turismo de Portugal. Esta será com certeza uma forma sustentável de mitigar os constrangimentos impostos pela limitação das infraestruturas aeroportuárias, promovendo ainda a diluição da procura, com todos os benefícios que lhe estão associados. Somos o Melhor Destino do Mundo e temos o Melhor Organismo Internacional de Promoção: este é o momento de agir. Fica a Ideia. Raul Martins Presidente da AHP – Associação da Hotelaria de Portugal
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09 February 2018
Prémio Carreira 2018: Guia Boa Cama Boa Mesa distingue Dionísio Pestana
Reunido, hoje, em Lisboa, o Júri do Prémio Carreira 2018, do Guia Boa Cama Boa decidiu distinguir Dionísio Pestana, fundador e presidente do Grupo Pestana. Dionísio Pestana, fundador e presidente do Grupo Pestana, é a personalidade distinguida com o Prémio Carreira 2018, do Guia Boa Cama Boa Mesa. A decisão foi tomada hoje, por unanimidade pelo júri do prémio, presidido por Francisco Pinto Balsemão. O Prémio Carreira é atribuído pela primeira vez à vertente “Boa Cama”, ou seja a “uma personalidade que tenha contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento e afirmação da hotelaria em Portugal, com uma vida profissional dedicada a estes setores, e reconhecimento pela comunidade”. De acordo com o júri, Dionísio Pestana é “uma figura cimeira que marcou a hotelaria nacional nos últimos 45 anos, demonstrando espírito empresarial e uma visão cosmopolita e de futuro. Como empresário português, Dionísio Pestana vai além de ser o fundador da maior cadeia hoteleira nacional, liderando igualmente um processo de internacionalização do grupo, que está presente em quinze países, em quatro continentes, conferindo assim notoriedade ao nome de Portugal”. Recorde-se que Dionísio Pestana começou “modestamente” com um hotel na Madeira, há 45 anos, e “nunca perdeu o foco e empenho exclusivo no turismo e na hotelaria, não se desviando do que considerava ser o caminho certo para crescer como industrial neste setor”. Hoje, o Grupo Pestana detém e gere 90 hotéis, com uma equipa global de 7.000 colaboradores e uma carteira anual de cerca de três milhões de clientes. De sublinhar a importância da participação do Grupo Pestana na Enatur desde 2003, assumindo a gestão da redes das pousadas (atualmente com 32 unidades), assim preservando o valor e património português, e contribuindo para afirmar a marca “Pousadas de Portugal". O Júri do Prémio Carreira, constituído por Francisco Pinto Balsemão (presidente), André Jordan, Cristina Siza Vieira, Fortunato da Câmara e Paulo Brilhante, justifica ainda a escolha por Dionísio Pestana ser “o maior hoteleiro nacional, o maior empregador do setor e o que mais tem contribuído para a economia do turismo a nível individual”. A distinção vai ser entregue, no próximo dia 27 de março, na já tradicional cerimónia de prémios Boa Cama Boa Mesa, que antecede a publicação do guia anual, que revela os melhores alojamentos e restaurantes de Portugal. Recorde-se que o Prémio Carreira do Guia Boa Cama Boa Mesa distinguiu Evaristo Cardoso, proprietário do restaurante Solar dos Presuntos, em 2017, e o chefe Vítor Sobral, em 2016. in Expresso, por Boa Cama Boa Mesa