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Saúde investe um milhão para atrair turistas

Há quatro anos que temos projetos para aproveitar um valioso nicho de mercado no Turismo e há dois anos que está pronto o documento estratégico do projeto Healthy’n Portugal que estimava podermos captar mais de 400 milhões de euros até 2020 com o tratamento médico de pacientes de outros países europeus e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Mas pouco ou nada foi feito. Espanha arrancou com um projeto semelhante depois de nós e, em apenas dois anos e com um orçamento de 2,7 milhões de euros, aumentou a faturação de 140 para 500 milhões de euros e em 80% o número de turistas de saúde. Portugal pretende apresentar-se como país de elevada qualidade na Medicina e nos tratamentos de recobro, além de possuir uma imensa oferta em termas e hotelaria, sendo competitivo nos preços a pagar por seguradoras, sistemas de saúde ou pelo próprio paciente, acompanhando uma tendência que cresce, a nível mundial, na ordem dos 20% ao ano e ocupando 30% da capacidade não aproveitada nos hospitais. O Health Cluster Portugal (HCP) reuniu uma série de parceiros, a Associação Empresarial de Portugal aliou-se e, durante dois anos, o assunto foi estudado e começou a ser trabalhado. “Houve missões-piloto de decisores europeus a Portugal e lançou-se o site www.medicaltourisminportugal.com ”, explica Joaquim Cunha, diretor executivo do HCP. De 2014 para cá, o projeto, sempre apoiado em fundos comunitários, ficou a “aguardar financiamento”, só agora conseguido para os próximos dois anos. “Vamos ter pouco mais de um milhão de euros para um plano de promoção com atenção especial às zonas de convergência (Norte, Centro e Alentejo), que será investido no portal e em ações estratégicas na Europa”, anuncia Joaquim Cunha. “Houve interesse da anterior secretaria de Estado do Turismo em posicionar-nos no Turismo de Saúde e até foi criado um grupo de trabalho , mas ficou tudo na gaveta e não sei por quê”, apontaLuís Veiga, então presidente da Associação da Hotelaria de Portugal e CEOdo grupo hoteleiro que detém o premiado H2otel Congress & Medical SPA. Com o hospital universitário da Covilhão, a Universidade da Beira Interior e um operador turístico, lançaram o projeto Medical Center of Portugal , que tem tido “algum reflexo junto de doentes de Angola”. Parte interessada e participante também neste nicho , as termas de Portugal esperavam, ainda, beneficiar da entrada em vigor, em setembro de 2014, da diretiva europeia de cuidados de saúde que permite aos cidadãos da UE decidir em que estado pretendem ser tratados, sendo as contas, depois, acertadas pelos respetivos sistemas de saúde ou seguradoras. “Não tem sido aplicada a diretiva europeia porque os países adotaram atitudes protecionistas dos seus sistemas de saúde”, relata Teresa Vieira, da Associação das Termas de Portugal (ATP). “As dificuldades têm sido de tal ordem que os destinos termais já criaram associações de doentes que lutam por garantir o acesso livre às termas onde querem ser tratados”, exemplifica a responsável. “No nosso caso, teremos alguma dificuldade em impor-nos porque temos o problema da reciprocidade: será difícil convencer um Estado europeu a pagar para um seu cidadão vir cá fazer termas, ainda que sejam comparticipadas no seu país, quando nós não comparticipamos as termas que um português faça, cá ou lá”, acrescenta. Apesar disso, após anos de requalificação e reposicionamento, em 2015, as nossas termas receberam mais de 100 mil utentes e aumentaram 8,43% a faturação. A ATP tem dois projetos candidatos a fundos europeus terão um milhão de euros para promover as termas nacionais. “Na verdade, o que o turismo de saúde precisava era de uma política integrada, que não fosse de uma Secretaria de Estado do Turismo mas do país”, aponta Teresa Vieira. © Fornecido por Dinheiro Vivo O Turismo de Saúde português tem consistido, então, em projetos dispersos, forças pulverizadas e uma estratégia que implora por uma tutela orientadora que o anterior governo recusou e o espanhol, por exemplo, assumiu depois do nascimento do cluster local. “Entendemos que é papel do Estado enquadrar a possibilidade de haver investimentos nessa matéria, mas não cabe ao Estado fazer esse investimento”, explica o anterior secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes. Afinal, o grupo de trabalho anteriormente mencionado “encravou” nos aspetos de “enquadramento legislativo e regulatório” necessários ao desenvolvimento deste tipo de turismo: não poderia haver lista de espera de utentes nacionais, nem os hospitais poderiam praticar preços livres. “Iniciaram-se as alterações regulatórias que deveriam permitir o desenvolvimento dessa área de negócio, mas entretanto o Governo mudou”, explicou Nunes. Ainda não foi apresentada a estratégia da nova Secretaria de Estado do Turismo relativamente a este nicho cujos turistas gastam entre oito e dez vezes mais do que um turista normal.

in MSN Notícias

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