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Casas de férias registadas no Algarve já têm mais camas do que os hotéis

O número de camas das casas de férias do Algarve recentemente registadas ao abrigo do novo regime do alojamento local já superou as camas dos hotéis da região. De acordo com o presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Luís Veiga, há 48 mil camas nos 220 hotéis do Algarve, "isto excluindo os aparthotéis e os aldeamentos turísticos". E estima-se que haja mais de cinquenta mil camas nos 8602 alojamentos locais que segundo o governo foram registados no distrito de Faro entre 27 de novembro, quando a nova lei entrou em vigor, e o dia 16 deste mês.

Ou seja, "já se ultrapassou a paridade", disse Luís Veiga ao Dinheiro Vivo, acrescentando que a tendência é que o número de camas em alojamento local - que inclui apartamentos, moradias e hostels - cresça ainda mais à medida que os registos forem aumentando.

O que já se verifica, principalmente no Algarve, onde sempre houve mais alojamentos deste género. Segundo dados da secretaria de Estado do Turismo, a 16 de junho havia 15 511 alojamentos locais registados, mais 14,3% do que os 13 575 inscritos até ao final do mês de maio. Na prática, diz fonte oficial da secretaria de Estado, "registaram-se, em média, 77 alojamentos locais por dia". E a maioria são no Algarve, que conta com os já referidos 8602 registos ou 55,5% do total inscrito nas câmaras, Finanças e Turismo de Portugal, as três entidades onde têm de ser inseridos os dados.

"Com a proximidade do verão, os proprietários receiam que haja fiscalizações da Autoridade Tributária (AT) e então registam os imóveis, que estavam fora da economia", disse Luís Veiga. É, aliás, por a maior parte destes alojamentos já estarem no mercado que o responsável dos hotéis portugueses não prevê qualquer aumento da concorrência para as unidades do Algarve.

"Os hotéis já conviviam com este tipo de oferta, a única diferença é que agora estão na economia e, mesmo assim, estar registado não significa que passem faturas", nota. Para Luís Veiga, o que é realmente preocupante na questão dos alojamentos locais é a situação de Lisboa, onde há mais registos novos do que transitados do regime anterior, como acontece no Algarve.

Na capital, diz, há o risco de um aumento da concorrência com os hotéis, "porque há oferta de apartamentos de todo o tipo, até de luxo, e em todas as zonas da cidade". Neste momento, adianta, há 34 500 camas nos 160 hotéis da capital e haverá mais de trinta mil camas nos 3201 alojamentos locais já registados, ou seja, "depois do verão também deveremos atingir a paridade".

50% das camas estão em casas

No Algarve já há mais camas nas casas de férias registadas do que nos hotéis e em Lisboa isso está para breve, o que significa que poderá ser uma realidade em todo o país. Neste momento, nos mais de 15 mil alojamentos locais registados há mais de cem mil camas, enquanto que em todos os hotéis do país há duzentas mil, logo, 50% já estão em casas de férias.

E "se todos os apartamentos do Algarve que ainda estão fora da economia vierem para dentro da economia legal este verão e no próximo, atingiremos a paridade", diz Luís Veiga. Ou seja, poderá haver o mesmo número de camas em casas de férias e hostels que há nos hotéis.

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