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Turismo: greve é "icebergue" que vai demorar a derreter

A greve terminou, mas o sector do turismo mantém-se apreensivo. A confiança do mercado e a existência futura da TAP são as grandes dúvidas. Ainda é cedo para balanços.

NA TAP as perdas são de 35 milhões, no sector do turismo o valor dispara. E cedo para avançar com balanços, mas o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, garante que o prejuízo será de "seguramente muitas dezenas de milhões de euros".

A meio da greve, a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) reviu as suas estimativas. Primeiro, tinha previsto perdas de 300 milhões de euros em receitas de exportação. Com a garantia de mais de 70% dos voos pela TAP, a previsão é agora inferior a 100 milhões de euros. A AHP está a ouvir os seus associados para determinar o verdadeiro impacto desta greve.

A Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT) é a única a avançar já com valores. A greve dos pilotos representou perdas entre os 25 e os 28 milhões de euros nas vendas de viagens.

Mas não são os números a maior preocupação. "Na verdade, o impacto directo da greve é apenas a ponta do icebergue de todas as nefastas consequências desta irresponsabilidade", aponta Calheiros ao Negócios.

É a confiança dos turistas na TAP (e no próprio país) que vai precisar de meses para voltar aos níveis considerados aceitáveis. O presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, realça esta ideia e diz mesmo que o maior impacto são os "danos reputacionais" e a incerteza de que o sindicato dos pilotos [SPAC] deixa quanto a novas paralisações.

"Qualquer que seja o prejuízo desta greve, o sector [do turismo] acomoda-õ com maior facilidade que a TAP', recorda Pedro Costa Ferreira. Para o presidente da APAVT, a "perda maior seria [o fim da] existência da TAP' porque a absorção dessas rotas por outras companhias significaria anos em suspenso para o sector.

"Desenganem-se os que pensam que a operação da TAP pode ser substituída de imediato pelas outras companhias. Temos exemplos na Europa que demonstram que essa transferência pode demorar anos", acrescenta Francisco Calheiros.

A solução que o sector do turismo traça é simples: ou o clima de conflito na TAP se dissolve ou . a empresa liderada por Fernando Pinto "como a vemos hoje" desaparece. Até lá, a cada cabeçada que a TAP der, a dor é para o turismo, sublinham.

Na região servida pelo aeroporto mais afectado pela paralisação - o Porto - as contas começam a ser feitas. Mesmo antes da greve, o presidente do Turismo do Porto e do Norte de Portugal, Melchior Moreira, já tinha alertado que os serviços mínimos definidos representavam "uma ínfima parte das necessidades". O cenário confirmou-se.

in Jornal de Negócios, por Wilson Ledo

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