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| 2005-07-18 12:36:00 |
A opção Ota não serve o Turismo em Portugal |
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Face ao anúncio feito pelo Governo da intenção de levar por diante o projecto do aeroporto da Ota, a AHP (Associação dos Hotéis de Portugal) reitera a posição que desde 1998 tem vindo a assumir publicamente, de total discordância com esta opção.
A AHP considera ainda grave que os principais agentes do turismo não tenham sido ouvidos relativamente a uma matéria tão importante para o sector, para o País e para os contribuintes. São estes agentes (hotéis, agentes de viagens, operadores turísticos, companhias de aviação) que geram tráfego aeroportuário e que melhor sensibilidade têm do impacto que esta decisão terá no mercado.
A capacidade do actual Aeroporto de Lisboa está longe de estar esgotada e se considerarmos a utilização da área do Figo Maduro e de qualquer uma das bases militares existentes na região (Alverca, Montijo e Sintra), constatamos que essa capacidade aumenta significativamente, assim haja coragem para mudar a situação actual de reduzida utilização pública da enorme capacidade aeroportuária instalada no nosso país.
O Euro 2004 provou que a simples utilização do Figo Maduro resolve grande parte dos problemas.
A capital do País não pode ter o seu aeroporto a 50 kms de distância (em Madrid a 13, Paris/Orly 14, Londres/Heathrow 24, Roma 26, Berlim 8, Bruxelas 12, Budapeste 24, e Viena 16 kms), pois além da perca de competitividade dos mercados de negócios e turismo (quebra prevista de 50% em short-breaks), penaliza gravemente os residentes dos Açores e Madeira, que têm de se deslocar frequentemente à capital por motivos de estudo, saúde ou negócios, bem como o seu sector turístico.
A opção de acessibilidades aéreas em Portugal tem obrigatoriamente de respeitar a visão estratégica para o turismo nacional, e o seu posicionamento no mercado ibérico.
A AHP não dispensa que sejam ouvidos os principais operadores e interessados no desenvolvimento turístico do País. Só após um profundo debate é que poderá ser tomada uma decisão que seja a melhor para Portugal. Apelamos à responsabilidade pública dos meios de comunicação para que façam as perguntas que ainda não foram feitas e cuja resposta os governantes não podem deixar de dar:
- Como vão conviver a Ota e a Portela? E a Ota e o renovado Sá Carneiro? Que mercados vão ser direccionados para que aeroporto?
- Se acabar a Portela qual o impacto nas visitas a Lisboa (turismo, negócios, congressos e incentivos)?
- O grande desenvolvimento turístico projectado para o sul do Tejo (30.000 camas) vai ser servido pela Ota que está a 150 km de distância?
- A Ota vai servir Portugal ou vai ser um "hub" internacional, uma porta de ligação entre os grandes mercados emissores da Europa e as Américas?
- Que papel é reservado ao mercado interno alargado (mercado Ibérico) numa opção de aeroporto na Ota?

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