Na
conferência, organizada pela Associação da Hotelaria de Portugal e pelo
Hospitality Management Institute (HMI), estiveram em cima da mesa temas como
qual o custo e proveito de tornar a operação turística mais ecológica e
sustentável e como pode um hotel tornar-se mais verde. Nesta reflexão participaram
vários especialistas estrangeiros e nacionais, apresentando casos de sucessos e
de boas práticas.
Simon
Dolan, professor catedrático na ESADE, em Barcelona, defende que o maior
desafio da hotelaria e do turismo actualmente é a assegurar a verdade do
marketing e a sua coerência com os serviços prestados. "Não tentem
convencer os clientes com factos falsos ou irrealistas e assegurem que os
empregados estão bem treinados, motivados e realmente preparados para dar o seu
melhor", aconselha.
"Como
tornar a operação mais verde e sustentável? A que custo?" será o tema de
intervenção de Frank Zehle, Vice-Presidente responsável pelo marketing da
holding Continental Europe Marriot Hotel.
Este
responsável defende que a sustentabilidade no sector necessita sobretudo de
investimento, mas que a sua experiência mostra que os investimentos em
operações verdes "têm um período de retorno curto e positivo".
Frank
Zehle diz ainda que para os hotéis se tornarem mais verdes têm de reduzir o
lixo e o consumo de energia, estabelecer e monitorizar padrões e políticas mais
ecológicas, adoptar as melhores práticas de outros hotéis e construir hotéis verdes.
David
Bretones, dos NH Hotels, considera que ser verde pode não ser neste momento uma
vantagem competitiva em termos de quota de mercado, mas é-o em termos de imagem
de marca.
No
último painel do dia, foram apresentados os resultados de um inquérito ao
consumidor final, realizado pela parceira da AHP e da iniciativa Tourism Think
Tank, MultiDados. Este inquérito visa identificar qual a percepção dos valores
ambientais na compra de produtos turísticos.
Um
report mais completo estará disponível em breve para os membros da rede Tourism
Think Tank.
O
presidente do Turismo de Portugal, Luis Patrão, afastou, nesta quarta-feira, a
possibilidade de o país adoptar uma ecotaxa aos turistas para compensar os
danos ambientais causados pela actividade turística.
"Em
Portugal, neste momento, entendemos que não é viável, possível ou desejável
sobrecarregar os turistas com essa taxa".
"O
que nós fazemos em Portugal é aplicar uma parte das receitas fiscais originadas
pelo turismo na preservação do ambiente", afirmou.
A
aplicação de uma taxa aos turistas, para compensar os danos ambientais causados
pela actividade turística, tem sido debatida em vários fóruns internacionais da
área, mas ainda não há uma posição unânime sobre a questão, explicou Luis
Patrão.
Segundo
o presidente do Turismo de Portugal, têm sido criados mecanismos financeiros
para programas que amenizem os impactos causados pela actividade turística ou
que sirvam para recuperar centros históricos.
O
presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Henrique Veiga, defendeu que
a sustentabilidade no turismo inevitavelmente será colocada na agenda do sector.
"Ter
unidades e uma actividade sustentável pode ser momentaneamente um factor
diferenciador, mas, do ponto de vista estrutural, vai ser inevitável",
afirma. "A aposta e a adopção de boas práticas de sustentabilidade por parte
dos operadores de turismo são vistas como um investimento, e não como um custo",
conclui.